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Campo Grande atinge menor taxa de gravidez na adolescência em 10 anos com apoio do Einstein – CGNotícias

Campo Grande registrou, em 2025, a menor taxa de gravidez na adolescência dos últimos dez anos, com 9,58% dos nascidos vivos até outubro — índice abaixo das médias estadual e nacional. O resultado é atribuído ao fortalecimento do pré-natal, à ampliação do acesso a métodos contraceptivos de longa duração e à reorganização da Atenção Primária à Saúde, que passou a contar com apoio técnico do Hospital Israelita Albert Einstein.

Os avanços observados em Campo Grande ganham ainda mais destaque neste período em que é realizada a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência, de 1º a 8 de fevereiro, instituída pela Lei nº 13.798/2019, voltada à disseminação de informações preventivas, educativas e sobre métodos contraceptivos.

A Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande integra, desde julho de 2024, o PlanificaSUS, iniciativa que recebe apoio técnico do Hospital Albert Einstein para qualificar processos na rede municipal de saúde. Na última semana, especialistas da instituição, considerada uma das maiores referências em saúde no país, estiveram no município para monitorar a aplicação do modelo, que prioriza o fortalecimento do pré-natal e a integração entre atenção básica e serviços especializados.

Na prática, o PlanificaSUS atua diretamente na rotina das equipes de saúde da família e dos ambulatórios especializados, ajudando a aperfeiçoar rotinas, reorganizar fluxos e melhorar o acompanhamento de gestantes e crianças. Segundo o Especialista de Projetos do Hospital Albert Einstein, Dorival Pereira Junior, a proposta é transformar teoria em resultados concretos no atendimento à população.

“Trabalhamos junto com as equipes para que elas reconheçam oportunidades de melhoria nos seus próprios processos, como o cadastro da população e o acompanhamento das gestantes no território. Isso permite programar melhor o cuidado, otimizar recursos e alcançar maior estabilidade clínica, reduzindo internações e a procura por pronto-socorro”, explica.

Um dos focos do trabalho em Campo Grande é qualificar o pré-natal e o acompanhamento das crianças, com identificação precoce das gestantes e integração mais eficiente entre a Atenção Primária e os serviços especializados. Nesse contexto, o município avança na reorganização do ambulatório responsável pelo atendimento de gestantes de alto risco, para garantir um cuidado mais ágil e resolutivo.

Para a superintendente de Atenção Primária à Saúde da Sesau, Ana Paula Resende, os dados positivos refletem uma mudança estrutural na forma de organizar o cuidado.

“Os resultados que o município vem alcançando são fruto de um trabalho técnico consistente da Secretaria, que une planejamento, capacitação das equipes e apoio institucional de uma referência como o Hospital Albert Einstein. O PlanificaSUS tem sido fundamental para qualificar o pré-natal, fortalecer a atenção materno-infantil e reduzir agravos evitáveis”, destaca.

Entre janeiro e outubro de 2025, foram registrados 10.055 nascidos vivos no município, sendo 959 de mães adolescentes. Em comparação com o mesmo período de 2024, quando a taxa foi de 10,42%, a redução confirma uma tendência histórica de queda. Em 2015, esse índice chegou a 16,03%.

Outro indicador que reforça esse avanço é a ampliação do acesso a métodos contraceptivos de longa duração. Em 2025, o município realizou 457 inserções de implante subdérmico, um aumento de 657,5% em relação ao ano anterior. Entre adolescentes de 10 a 19 anos, foram 192 procedimentos — crescimento de 2.300% em comparação a 2024.

A ampliação do acesso aos métodos contraceptivos de longa duração se soma às demais opções já disponíveis na rede municipal. As unidades de saúde seguem ofertando métodos como DIU de cobre e hormonal, preservativos internos e externos, pílula anticoncepcional e injeções mensais e trimestrais, laqueadura e vasectomia, assegurando atendimento individualizado e orientado pelas necessidades de cada pessoa e de cada família.

Esse crescimento está diretamente ligado à descentralização da oferta nas unidades de saúde, à capacitação de médicos e enfermeiros e à incorporação do implante subdérmico como prática rotineira na Atenção Primária. A estratégia segue as diretrizes do PlanificaSUS, que prioriza a organização da rede e a atuação integrada entre os níveis de atenção.

Para o Hospital Albert Einstein, a experiência em Campo Grande reforça o papel do apoio institucional no fortalecimento do SUS. “Levamos nossa experiência em gestão, organização de processos e melhoria da assistência para diferentes realidades do país, sempre respeitando o contexto local. Campo Grande tem avançado de forma consistente nesse caminho”, afirma Dorival.