Umbanda faz culto à Iemanjá na véspera do réveillon no Rio

Por MRNews

Ana Beatriz de Oliveira, 23 anos, foi a primeira a chegar à Praia Vermelha, na zona sul do Rio de Janeiro, para assistir e participar na noite de ontem (30), véspera do réveillon, do ritual em devoção à Iemanjá, orixá feminina que nas religiões afro-brasileiras, como o Candomblé e a Umbanda representa as águas, seja nos mares ou nos rios.

A jovem trazia rosas amarelas para presentear a entidade, geralmente reverenciada com as cores azul e branco. “Eu fui comprar rosa branca, mas não tinha. Só tinha palma branca, só que estava murcha.”

As rosas amarelas eram oferendas de Ana Beatriz em gratidão à Iemanjá.

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“Eu vim agradecer pelo ano. Vim agradecer por eu ter conseguido me formar [em arquitetura], porque foi muito difícil”, conta ao também dizer que está empregada no último escritório que estagiou antes de se formar. 

Washington Bueno, 58 anos, cabeleireiro e maquiador, conseguiu comprar palmas brancas ainda viçosas para Iemanjá. Queria pedir a ela por trabalho, saúde e amor. Ele, no entanto, tinha uma demanda especial: menos violência de gênero.

“Nós brasileiros estamos um pouco em conflito. Há questões de [falta de] respeito ao próximo, né? Tivemos este ano de 2025 com tantas agressões às mulheres”, lembra. “Nós falamos tanto que nosso país é um lugar gentil. Cadê essa gentileza? Eu estou aqui para pedir um ano mais de conscientização com o bem-estar e cuidado de um do outro.”

 

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 Pessoas se reúnem para celebrar, agradecer e levar oferendas a Iemanjá, misturando tradições iorubás, sincretismo religioso e preservação cultural, na Praia Vermelha, na Urca, zona sul do Rio. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil 

 

As palmas brancas, rosas amarelas e outras flores levadas à Praia Vermelha podiam ser depositadas, junto com cartas, perfumes e champanhe, em um barco, azul e branco, de cerca de dois metros de comprimento, com a imagem de Iemanjá, e que ornamentava o espaço para a gira na areia da praia organizada pela Associação Umbanda e Cultos Afros (Auca).

O culto, chamado de “Presente de Iemanjá”, foi quinto ocorrido na última semana do ano em devoção à entidade, e que recebeu apoio da Prefeitura do Rio de Janeiro (Coordenadoria da Diversidade Religiosa).
 

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Celebração mistura tradições iorubás, sincretismo religioso e preservação cultural, na Praia Vermelha, na Urca, zona sul do Rio. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil 

Palco gospel 

Apesar do suporte logístico e de segurança da prefeitura para os eventos religiosos de matriz africana, há lideranças da Umbanda que enxergam tratamento diferenciado com outras religiões nos eventos de fim de ano.

O babalawô Ivanir dos Santos, pesquisador e doutor em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), estranhou o patrocínio da prefeitura a um palco dedicado integralmente à música evangélica em Copacabana na noite do réveillon (hoje, 31). “Por que esse privilégio?”, questiona em entrevista à Agência Brasil.

“Não se trata de ser contra o palco gospel, não é esse debate. O debate é haver palco para apenas uma música religiosa”, pondera ao dizer que católicos, mulçumanos, budistas, assim como o povo do Candomblé e da Umbanda produzem música religiosa para seus ritos e louvores.

Santos assinala que a ausência de um espaço dedicado a músicas dos terreiros representa um “apagamento” de quem na década de 1950 iniciou uma tradição de festejar a passagem do ano vestido de branco na Praia de Copacabana, fazendo cultos e oferendas à Iemanjá.

Ele teme que o apagamento de tradições culturais e religiosas acabe por se impor uma cultura espiritual “hegemônica” e pouco tolerante com outras formas de credo.

Em entrevista coletiva ontem, após saber das críticas ao apoio à música evangélica, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, salientou que “há uma parcela muito significativa da nossa cidade que gosta de música gospel e que quer — e pode — ter seu espaço”

“Esse público não vinha para Copacabana e agora vai vir, vai conviver com pessoas fazendo oferendas a Iemanjá. Isso é o sincretismo religioso do Brasil e da nossa cidade.”

Emlur mantém calendário da coleta domiciliar regular nesta quarta e quinta-feira

A Autarquia Especial Municipal de Limpeza Urbana de João Pessoa (Emlur) informa que, mesmo durante o período de Réveillon, nesta quarta e quinta-feira, dias 31 de dezembro e 1º de janeiro, respectivamente, os serviços de coleta domiciliar de resíduos sólidos serão mantidos normalmente, sem qualquer alteração no calendário habitual.

Além da manutenção da coleta regular, a Emlur também estará empenhada em uma grande operação especial de limpeza para atender a cidade durante as festividades de fim de ano, especialmente nas áreas de maior concentração de público.

De acordo com o superintendente da Emlur, Ricardo Veloso, o trabalho será intensificado para garantir uma cidade limpa antes, durante e após a virada do ano. “Mesmo sendo um período festivo, a Emlur não para. Além de mantermos a coleta domiciliar sem alterações, estaremos empenhados em uma grande operação de limpeza com mais de 500 agentes, atuando antes, durante e depois da virada do ano, garantindo mais organização, bem-estar e qualidade de vida para a população e para os visitantes de João Pessoa”, afirmar o superintendente.

Coleta nas terças, quintas e sábados – As equipes de limpeza da Emlur realizam a coleta domiciliar nos seguintes bairros:

– Esplanada, Ernani Sátiro, Costa e Silva, Gauchinha, Vieira Diniz, Bairro das Indústrias;

– Orla, Cabo Branco, Tambaú, Jardim Oceania, Jardim Aeroclube, Manaíra, Alto do Céu, Ipês, Costa do Sol;

– Mandacaru, Paratibe, Castelo Branco, Torre, Treze de Maio, Valentina, Centro, Jaguaribe, Trincheiras, Varadouro, Tambiá, Água Fria, Alto do Mateus, Cidade dos Colibris, Nova República, Funcionários II, Ilha do Bispo;

– Colibris, Distrito Mecânico, Irmã Dulce, Jardim Planalto, João Paulo II, José Américo, Novais, Novo Geisel, Oitizeiro, Anatólia, Bancários, Geisel, Jardim São Paulo, Cidade Universitária, Parque do Sol e Planalto da Boa Esperança.

Coleta nas segundas, quartas e sextas – A coleta domiciliar ocorre normalmente nos seguintes bairros e localidades:

– Orla, Tambaú, Cabo Branco, Manaíra, Bessa, Jardim Oceania, Jardim Aeroclube, Altiplano, Praias da Penha e Seixas, Portal do Sol, Bairro de São José;

– Centro, Jaguaribe, Tambiá, Trincheiras, Varadouro;

– Brisamar, João Agripino, Padre Zé, Pedro Gondim, Bairro dos Estados, Expedicionários, Miramar, Tambauzinho;

– Cidade Verde, Cristo Redentor, Cuiá, Gervásio Maia, Grotão, Rangel, Roger, Varjão, Cruz das Armas, Funcionários I, Mangabeira, Planalto da Boa Esperança I;

– Mumbaba, Distrito Industrial, Jardim Veneza, Bairro das Indústrias.

A Emlur reforça a importância da colaboração da população, orientando que os resíduos sejam colocados para coleta nos horários habituais, contribuindo para a limpeza urbana e para um início de ano mais organizado e sustentável.

Tradição e fé impulsionam busca por banhos e ervas no fim de ano

Por MRNews

Aroma e conhecimento popular se mesclam em banquinhas de ervas espalhadas pela cidade do Rio de Janeiro, em feiras livres ou nas esquinas, da zona norte à zona sul. Nesses pontos de venda, saberes passados de geração em geração receitam chás, xaropes, escalda pés, banhos e outras preparações. Mesmo sem comprovação medicinal para curar doenças, as preparações promovem o bem-estar e, por isso, no fim de ano, cresce a procura por folhas para banhos energéticos e rituais.

Em um ponto da Rua da Carioca, no Centro, o erveiro José Adaílton de Souza Ferreira borrifa suas plantas, de tempos em tempos, para protegê-las do calor. Empilhadas em um carrinho de mão estilo “burro sem rabo”, estão ramos de macassá, levante, manjericão, arruda, alfazema, alecrim e sálvia, “as mais procuradas para banhos energizantes ou de ‘descarrego’, contra inveja e olho grande”, prescreve.

“Tem tanta gente que chega carregado aqui, toma um banho de abre-caminho, desata nó, vence demanda, e a pessoa melhora muito”, conta o erveiro, que dá instruções simples: “Cozinhar ou esfregar, um dos dois, e depois jogar da cabeça aos pés”.

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O erveiro José Adaílton de Souza Ferreira mostra as ervas para banho energético e espiritual que vende em um ponto na Rua da Carioca, no centro da cidade. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

As folhas ainda são procuradas para cuidados de saúde, caso do saião, guaco e assa-peixe, usadas para incrementar xaropes caseiros, mas a maior demanda dos erveiros é para o uso em banhos energéticos ou rituais.

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As religiões indígenas e de matriz africana utilizam as plantas nas celebrações. No candomblé, por exemplo, as folhas, chamadas ewés, carregam o axé, a força vital que conecta o mundo espiritual ao mundo real, sendo cada espécie usada para uma finalidade, como oferendas, banhos e curas. Nesta religião, as ervas purificam, equilibram e reenergizam.

A Mãe Nilce de Iansã, referência do terreiro Ilê Omolu Oxum, na Baixada Fluminense explica: “Kò si ewé, kò si Orixá [ditado iorubá], ou seja, sem folha não tem orixá, porque o orixá é a natureza”.

Em um terreiro, ela relata que as folhas são para uso religioso, terapêutico e alimentar. “Muitas pessoas chegam até nós sem saber o que fazer, tomam um banho de nossas ervas, bebem um chá e se sentem aliviadas”.

Coordenadora da Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras, ela lembra que uma das bandeiras da entidade é o reconhecimento das ações terapêuticas nos terreiros como práticas de saúde. “Não estou falando de cura, mas de cuidado”, frisou.

Conhecimento

No caso dos banhos, Mãe Nilce avisa que a prescrição varia de acordo com cada pessoa e a intenção de cada tratamento. Para dar conta dessas especificidades, “ialorixás [sacerdotes mulheres] e babalorixás [homens] estudam, se preparam e são guardiões de conhecimento ancestral”, explica.

Por isso, ela diz que não há uma receita universal, que sirva para qualquer pessoa. Mesmo assim, Nilce dá uma dica alternativa que pode fazer bem a qualquer um no fim de ano:

“Tome um banho de mar. Que delícia! Tome banho de rio e de cachoeira. É energia pura”.

Apesar das dúvidas sobre a eficácia da fitoterapia na cura de doenças, a ciência já atestou que práticas religiosas/rituais podem ser benéficas para a saúde, é o que lembra Aline Saavedra, doutora em biologia vegetal e professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

“Não existe uma pesquisa para saber se, de fato, aquele banho vai te dar mais energia ou te trazer, proteção”, diz. “Porém, em relação ao bem estar, o fato de as pessoas se sentirem mais protegidas, obviamente, muda a química do nosso cérebro positivamente, e isso traz benefícios”, afirma.

 

Comércio de ervas para banhos energéticos e espirituais no Mercadão de Madureira. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Precaução

No caso de ingestão, Aline recomenda cuidado. “Já sabemos que, certos chás podem trazer toxicidade, por exemplo, se utilizados por um período prolongado”, alertou.

Ela também chamou atenção para similaridades entre plantas, que podem passar despercebidas. “É preciso que o erveiro demonstre conhecimento com a procedência das plantas. Folha seca moída é difícil diferenciar”.

Um uso seguro das folhas, segundo Aline, é de plantas já conhecidas da culinária. “Todos os temperos têm propriedade medicinais. Manjericão, orégano, sálvia, alecrim. Só dosar e não exagerar na quantidade”, recomenda.

Quem tiver dúvidas, pode consultar o Horto Virtual da Universidade Federal de Santa Catarina. O site permite identificar uma planta pelo nome popular e científico, fornecendo informações sobre origem, modo de usar e efeitos adversos.

 

Ponto de venda de ervas para banhos energéticos e espirituais numa rua do Bairro de Fátima. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Identidade

Atento aos riscos, João*, erveiro do Bairro de Fátima, na região central do Rio, não faz prescrições.

“Eu só vendo ervas para a pessoa que sabe o que quer. Meu negócio é espiritual, nada de chá”.

Ele conhece bem as plantas, cultivadas por ele mesmo sem agrotóxicos, em um terreno em Irajá, na zona norte, mas prefere não misturar as funções.

João diz que “poderia estar fazendo outra coisa”, mas que gosta do trabalho de erveiro. Orgulhoso, ele exibe as mãos cheias de sinais do cuidado com a terra.

“As ervas de banho, de tempero, tem tudo a ver comigo, com a minha religião, com o que me identifica como pessoa, e com a minha origem racial”.

 

Detalhes das marcas nas mãos de um erveiro que vende ervas para banhos energéticos e espirituais numa rua do Bairro de Fátima. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

*O nome do erveiro foi alterado a pedido dele, por medo de repressão.

Agência Minas Gerais | Contribuintes deverão incluir obrigações acessórias do IBS nos documentos fiscais a partir de janeiro de 2026

Começa a vigorar em 1/1/2026, em fase de transição e testes, a Reforma Tributária do Consumo, instituída pela Emenda Constitucional 132/2023.

A Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais (SEF/MG) alerta que, a partir desta data, os contribuintes deverão incluir nos documentos fiscais eletrônicos já utilizados (como NF-e, NFC-e, CT-e e NFS-e) as obrigações acessórias relacionadas ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), conforme o Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 1, de 22/12/2025.

“Em todas as etapas da Reforma Tributária do Consumo, o Governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Fazenda, participou ativamente, integrando e liderando grupos de trabalho de discussões técnicas e desenvolvimento de sistemas”, afirma o secretário de Estado de Fazenda, Luiz Claudio Gomes.

Orientação para as empresas

O Ato Conjunto RFB/CGIBS nº 1, editado pelo Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CGIBS) e a Receita Federal do Brasil, disciplina as obrigações acessórias relacionadas ao IBS (que substituirá os impostos estaduais e municipais sobre o consumo) e à CBS (que substituirá os impostos federais sobre o consumo).

O normativo estabelece um marco regulatório para a fase inicial de transição, com foco na segurança jurídica, na previsibilidade para os contribuintes e na adaptação progressiva dos sistemas fiscais ao novo modelo instituído pela Emenda Constitucional nº 132/2023 e regulamentado pela Lei Complementar nº 214/2025.

Em 2026, o início da operacionalização do IBS e da CBS será conduzido em uma fase essencialmente educativa e orientadora, voltada à realização de testes, ao ajuste dos sistemas operacionais e à validação dos fluxos de informação necessários à plena implementação do novo sistema de tributação do consumo.

Nesse período, não haverá exigência de recolhimento financeiro dos novos tributos, tampouco aplicação imediata de penalidades, desde que observadas as regras de transição estabelecidas no ato.

De forma expressa, o ato conjunto estabelece que, desde que cumpridas as obrigações acessórias, a apuração do IBS e da CBS ao longo de todo o ano de 2026 terá caráter meramente informativo, sem quaisquer efeitos tributários.

O normativo define que os documentos fiscais eletrônicos já utilizados pelos contribuintes — como NF-e, NFC-e, CT-e e NFS-e — passarão a conter campos específicos para o destaque do IBS e da CBS, conforme Notas Técnicas publicadas aqui. 

Empresas selecionadas para os testes

Para iniciar os testes do Sistema de Apuração Assistida do IBS, com base nos dados informados nos documentos eletrônicos, foram selecionadas 123 empresas de todas as regiões para participar do projeto piloto, conforme lista disponibilizada neste link. 

As empresas selecionadas receberão em breve um e-mail com as cartas-convites com novas orientações sobre a participação no projeto.

Para mais informações sobre a Apuração do IBS, está disponível no portal do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CGIBS) uma Cartilha Orientativa.

Queima de fogos pode desencadear crise sensorial em autistas

Por MRNews

Tradição na virada do ano, a queima de fogos de artifício traz prejuízos a parte da população mais sensível aos ruídos causados pelo estouro dos artefatos. Entre elas, idosos, crianças e pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O neuropediatra e professor da Escola de Medicina e Ciências da Vida da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Anderson Nitsche, explica que os efeitos dos fogos nos autistas podem ir além da hora da virada.  

“As crianças e pessoas autistas têm uma sensibilidade maior ao som e isso causa uma perturbação momentânea, mas que pode até durar por mais tempo, gerando sofrimento de insônia durante alguns dias”, afirma o professor. 

Diante do barulho intenso, pessoas no espectro autista podem entrar no que é chamado de crise sensorial, em que o estímulo gera alterações de comportamento que vão desde ansiedade e vontade de fugir daquele meio, até agressividade contra si ou demais pessoas que estão ao redor.  

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A neurologista e diretora clínica do Hospital INC (Instituto de Neurologia de Curitiba), Vanessa Rizelio, explica que as pessoas que têm TEA não conseguem processar que aquele ruído alto, por um período prolongado, é um momento de celebração – uma vez que, para eles, promove uma sensação desagradável que não é bem processada pelo cérebro.  

“O cérebro deles entende como uma coisa negativa, algo que está gerando um desconforto e a reação vai ser sair daquela situação. Muitas vezes, isso se vai manifestar como ansiedade, irritabilidade, fora o prejuízo depois no sono que pode impactar até o dia seguinte”, destaca Vanessa. 

Fundadora da Associação de Neurologia do Estado do Rio de Janeiro (ANERJ), a neuropediatra Solange Vianna Dultra, aponta outros efeitos que a queima de fogos pode desencadear no organismo dessas pessoas.

“O coração dá uma descarga de adrenalina, acelera, a pressão sobe. Eles não conseguem entender que é uma festa. É como se estivessem no meio de um tiroteio. Algumas pessoas se desregulam até na hora de recreio na escola por causa do barulho”, explicou a especialista. 

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Alternativas 

Algumas cidades brasileiras já começaram a rever a prática da queima de fogos na virada do ano em celebrações públicas e há legislações específicas proibindo artefatos com barulho. A adoção de fogos sem estampido, espetáculos de luzes e apresentações com drones são alternativas para preservar o simbolismo das celebrações, sem impor um custo sensorial a parte da população.  

A psicóloga com especializações em neuropsicologia e em saúde mental, Ana Maria Nascimento, acredita que essas alternativas mantêm o caráter coletivo da festa e ampliam o direito à participação. Em um contexto em que já existem soluções ao barulho, ela defende que insistir no uso de fogos ruidosos “parece um gesto de indiferença”.  

“Celebrar pressupõe convivência. Quando a alegria de uns depende do sofrimento de outros, é legítimo questionar se essa tradição ainda faz sentido”.  

A neuropediatra Solange Vianna destaca que o sofrimento causado pelo ruído dos fogos não é só para a criança autista, mas para toda a família. Ela ressalta que, no caso de fogos silenciosos, a luminosidade não é um problema, porque basta a família manter a criança com TEA longe de janelas.  

O professor da PUC-PR também ressalta a necessidade de a sociedade olhar para a questão com mais empatia, adaptando tradições para promover a inclusão dessas pessoas nas festividades. 

“Acolher, entender e perceber que há pessoas que sofrem com determinadas tradições é tão importante quanto as próprias vivências”, aponta Anderson Nitsche.  

De acordo com Nitsche, o autismo tem uma prevalência mundial em torno de 3% da população. Nem todos os autistas têm alterações sensoriais, auditivas. Para o especialista, empatia é a palavra-chave para a questão. “O processo de inclusão passa pela ideia de entender que há pessoas que são diferentes da gente e que, muitas vezes, a minha liberdade fere a liberdade do outro e gera nelas um sofrimento desnecessário”. 

Idosos e crianças 

Os idosos são outro grupo que sofre o impacto dos ruídos intensos, especialmente aqueles com demência, uma vez que têm dificuldade no processamento das informações. De acordo com Vanessa, o idoso com demência pode entrar em surto de delírios e alucinações diante da queima de fogos, prejudicando também o sono, a memória e o raciocínio para o dia seguinte. 

Os bebês também são afetados de maneira negativa, uma vez que têm uma necessidade de dormir por períodos mais longos do que crianças mais velhas e adultos.  

“Se o bebê passa a ser despertado por esse ruído ou não consegue adormecer,  isso traz prejuízos. Porque os fogos começam a ser soltados muitas horas antes e o ruído vai gradualmente aumentando até chegar ao ápice, à meia-noite”, lembra Vanessa.

Nesses casos, o uso no ambiente de outros sons, como ruído branco, ou de abafadores, para crianças maiores, pode minimizar esse impacto.  

Vanessa Rizelio critica que, embora em muitas cidades brasileiras esteja proibida a venda de fogos de artifício, não há uma fiscalização de fato. 

“Em Curitiba, por exemplo, essa lei já está em vigência há mais de cinco anos e nós continuamos ouvindo muitos fogos de artifício com barulhos intensos sendo soltos em comemorações, principalmente no ano novo”. Ela defende mais rigor para  “minimizar o impacto de um comportamento humano que já deveria ter sido mudado há muito tempo”, afirma.  

 

NOTA SAEG – VAZAMENTO NO BAIRRO ESPANHA

A SAEG (Companhia de Serviços de Água, Esgoto e Resíduos de Guaratinguetá) informa que, nesta terça-feira (30), foi identificado um vazamento de grande proporção na rede responsável pelo abastecimento do reservatório do bairro Espanha.

Em razão do ocorrido, poderá haver baixa pressão ou interrupção no fornecimento de água no bairro Espanha e na parte baixa do bairro Municipal I.

As equipes técnicas da SAEG já estão no local e trabalham com prioridade para realizar o reparo da rede e restabelecer o abastecimento no menor prazo possível.

A Companhia orienta os moradores a utilizarem a água de forma consciente durante este período e agradece a compreensão da população.

A previsão é de que o abastecimento seja retomado de forma gradativa ao longo desta terça-feira (30).

Para mais informações ou esclarecimento de dúvidas, os munícipes podem entrar em contato com a SAEG pelo telefone 156 ou pelo aplicativo 156 SAEG.

RioLuz reforça iluminação, monitoramento e equipes em pontos estratégicos da cidade – Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro

A companhia realizou manutenção preventiva em mais de dez mil pontos de luz. Foto: Divulgação/RioLuz

A RioLuz intensificou as ações de manutenção, prevenção e monitoramento da iluminação pública da cidade para a virada de ano novo do Rio, uma das maiores celebrações a céu aberto do mundo. O objetivo é garantir segurança, visibilidade e conforto para cariocas e turistas que circulam pelas orlas, acessos aos palcos e principais áreas de concentração durante a virada do ano.

Entre as principais medidas, a companhia realizou manutenção preventiva em mais de dez mil pontos de luz ao longo das orlas da cidade, além do reforço da iluminação nos acessos às estações de metrô, vias de grande fluxo e nos palcos espalhados por diferentes regiões do Rio. A operação também conta com a instalação de 13 novas câmeras de monitoramento integradas ao Centro de Operações e Resiliência (COR), com capacidade de zoom de até 15 vezes, ampliando o alcance da vigilância e permitindo respostas mais rápidas a qualquer interferência.

As ações de manutenção preventiva e revisão dos comandos de energia foram intensificadas ao longo de todo o litoral, da Praia do Leme ao Pontal, incluindo ainda as orlas da Praia da Bica, Guaratiba e Sepetiba, além do Piscinão de Ramos, que receberam reforço operacional e inspeções completas de funcionamento.

Como parte da operação especial de Réveillon, a RioLuz também realizou vistorias técnicas em escadas rolantes e elevadores localizados em áreas estratégicas, garantindo acessibilidade e segurança ao público. Durante toda a noite da virada, equipes técnicas permanecerão de plantão em pontos estratégicos da cidade, preparadas para atendimento imediato em caso de qualquer ocorrência.

Segundo o presidente da RioLuz, Rafael Thompson, o trabalho antecipado é fundamental para assegurar o pleno funcionamento dos sistemas durante um dos períodos de maior demanda do ano.

– Estamos ampliando o monitoramento, modernizando trechos estratégicos e fortalecendo nossas equipes de prontidão para responder com agilidade. Nosso foco é garantir segurança, visibilidade e bem-estar para quem ocupa os espaços públicos na maior celebração do ano -, afirma.

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  • 30 de dezembro de 2025
  • Marcações: iluminação pública Réveillon Zona Sul

    Agereg reestrutura setores e garante eficiência na regulação dos serviços – CGNotícias

    A Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Campo Grande (Agereg) atua para garantir que serviços essenciais cheguem à população com qualidade, regularidade e transparência. Na prática, isso significa fiscalizar e regular setores como transporte coletivo urbano, abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana, terminal rodoviário, serviços funerários, táxis, mototáxis e estacionamento rotativo.

    Um dos marcos de 2025 foi a reformulação do organograma da Agereg, que trouxe mais clareza na distribuição de competências, agilidade nos fluxos internos e melhora direta no atendimento à população.

    Com a nova estrutura, os serviços passaram a ser organizados conforme a natureza de cada diretoria, reduzindo sobrecargas e garantindo mais eficiência nas ações regulatórias.

    Um dos principais avanços foi a criação da Diretoria de Serviços Especiais, responsável por concentrar exclusivamente as demandas de transporte coletivo, terminal rodoviário, táxis, mototáxis, inspeção veicular, serviços funerários e estacionamento rotativo.

    A medida desafogou diretorias como as de Estudos Econômico-Financeiros e de Saneamento Básico, promovendo uma atuação mais estratégica e focada por segmento.

    Ouvidoria com 100% de resolução

    A Ouvidoria da Agereg manteve sua função de ponte entre a população e as concessionárias de serviços públicos, com foco em escuta qualificada, transparência e agilidade.

    Entre janeiro e outubro de 2025, foram registrados 1.952 protocolos. Todos foram resolvidos integralmente, sem nenhuma pendência.

    WhatsApp lidera canais de atendimento

    O WhatsApp foi o canal mais utilizado pela população, com 1.547 atendimentos (79%). Em seguida aparecem o telefone (335), atendimento presencial (57), e-mail (12) e formulário eletrônico (1).

    Além dos atendimentos, a Ouvidoria promoveu 70 audiências entre contribuintes e concessionárias, com resultados considerados satisfatórios.

    Tecnologia e educação ambiental como reforço institucional

    Para ampliar o controle dos serviços públicos, foi implantada a Sala de Monitoramento em Tempo Real, permitindo o acompanhamento contínuo das operações dos setores regulados.

    Outro avanço foi a criação do Espaço Agereg Sustentável, voltado à educação ambiental e à conscientização sobre a gestão de resíduos. A iniciativa reforça o compromisso da Agência com inovação, responsabilidade social e aproximação com a comunidade.

    Com estrutura fortalecida, atendimento eficiente e foco na melhoria contínua, a Agereg entra em 2026 mantendo o compromisso com a qualidade dos serviços públicos e com a população de Campo Grande.

    #ParaTodosVerem A imagem de capa mostra a fachada da Agereg.

    2025, ano mágico de João Fonseca no tênis profissional

    Por MRNews

    Fenômeno, sensação, prodígio. Não foram poucos os elogios recebidos pelo tenista carioca João Fonseca ao longo de 2025, quando conquistou os primeiros títulos no circuito profissional e cravou vitórias importantes em Grand Slams e Masters 1000 – torneios que distribuem maior pontuação. O número 1 do tênis brasileiro abriu a temporada na 145ª posição no ranking mundial, subiu 121 posições e fechou o ano entre os 24 melhores tenistas do planeta. Não à toa, arrebatou uma legião de fãs, entre eles grandes estrelas da modalidade como Jannik Sinner, Novak Djokovic e Roger Federer. Em votação popular no fim do ano, João foi eleito o Atleta da Torcida na categoria masculina do Prêmio Brasil Olímpico 2025, láurea concedida pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB).

    João iniciou 2025 de forma avassaladora, após decidir abrir mão de ingressar no tênis universitário nos Estados Unidos para abraçar a carreira profissional. Um ano antes, o carioca estreou nos torneios profissionais e terminou 2024 como campeão Next Gen ATP Finals, competição que reúne os oito melhores tenistas de até 20 anos de idade. Confiante, João começou a temporada em janeiro de 2025 com 18 anos. Logo de cara faturou o primeiro título de simples, o Challenger 125 de Camberra (Austrália) e saltou 32 posições no ranking.

    Na estreia no Aberto da Austrália, seu primeiro Grand Slam na carreira, João eliminou o russo Andrey Rublev, o nono melhor do mundo na ocasião – Reuters/Jaimi Joy/Proibida reprodução

    Na sequência, João disputou o primeiro Grand Slam da carreira, o Aberto da Austrália, após garantir vaga na fase principal vencendo o qualifying (qualificatório). Arrojado, o tenista brasileiro surpreendeu o russo Andrey Rublev – o nono melhor do mundo na ocasião – no jogo de estreia em Melbourne, com vitória pro 3 sets a 0. A partir daí, João decolaria no ranking e passaria a contar com o apoio da torcida nos demais embates. O triunfo sobre Rublev não passou desapercebido pelo multicampeão Djokovic, que na época ressaltou as qualidades do carioca em quadra.

    “Ele é corajoso, bate muito bem e é um jogador completo”, disse o sérvio. “É um momento empolgante para o Brasil, mas também para todo o mundo do tênis, porque um jogador e uma pessoa tão jovem ser capaz de jogar tão bem em um grande palco é impressionante”, completou o sérvio, com 24 títulos Grand Slams. 

    Mesmo se despedindo de Melbourne na rodada seguinte – João perdeu para o italiano Lorenzo Sonego – o brasileiro subiu mais 13 posições, fechando o mês entre os 100 melhores do mundo. Uma façanha e tanto: o carioca se tornara o segundo tenista mais jovem, depois do espanhol Carlos Alcaraz, a figurar no seleto grupo. 

    Em fevereiro, João faturou o primeiro título no circuito profissional, o ATP 250 de Buenos Aires (Argentina), com vitória na final sobre o anfitrião Francisco Cerundolo. O carioca galgou mais 31 posições no ranking, passando a ocupar a 68ª colocação. Número 1 do mundo, Alcaraz  parabenizou o colega de quadras nas redes sociais.

    Após levantar a taça em Buenos Aires, o tenista brasileiro passou a ser convidado a participar de grandes torneios, como os Masters 1000 de Indians Wells e de Miami, ambos nos Estados Unidos. João derrotou rivais de renome como o britânico Jacob Fearnley (na estreia de Indian Wells) e o francês Ugo Humbert, em Miami, quando se classificou pela primeira vez na carreira à terceira rodada de um torneio Masters 1000. Entre um e outro torneio, ele ainda competiu o Challenger de Phoenix, no Arizona, e saiu de lá campeão. 

    Em plena ascensão meteórica, João chegou ao Torneio de Roland Garros (França) em maio já como o 65º do mundo. Na estreia, ele não se intimidou, despachando o polonês Hubert Hurkacz (ex-top 10 e 28º no ranking na ocasião). No entanto, acabou se despedindo na terceira rodada.

    O brasileiro seguiu colecionando vitórias sobre adversários mais experientes. Em junho, no Torneio de Wimbledon (Inglaterra) – terceiro Grand Slam do ano – João bateu o anfitrião Jacob Fearnley e o norte-americano Jenson Brooksby e se tornou o tenista mais jovem a garantir presença na terceira rodada da disputa masculina de simples nos últimos 14 anos. João deu adeus à grama londrina após revés para o chileno Nicolas Jarry, que avançou às quartas.

    Depois, em agosto, João competiu nos Estados Unidos o Masters 1000 de Cincinatti e o US Open – quarto e último Grand Slam da temporada. Em ambos parou na segunda rodada e aproveitou para repor energias em um breve período de férias. 

    Revigorado após o descanso, João foi um dos destaques do quinteto brasileiro na Copa Davis, realizada em setembro, na Grécia. Um mês após completar 19 anos, e em 45º lugar no ranking, o carioca fez parte do quinteto brasileiro que garantiu vaga nos qualifiers da Copa Davis 2026. O Brasil selou a classificação com vitória sobre a Grécia, por 3 jogos a 1. Em um dos confrontos, João derrotou o ex-top 3 mundial Stefanos Tsisipas.  

    Mas o melhor ainda estava por vir. Em outubro, João Fonseca conquistou o primeiro troféu ATP 500 na carreira. Ele foi campeão no Torneio da Basileia, com vitória por 2 sets a 0 sobre o espanhol Alejandro Fokina – na ocasião número 18 no ranking.  A conquista já alçava João a encerrar o ano entre os 30 melhores do mundo. Mas ele foi além: menos de 48 horas depois do título na Basileia, o brasileiro estreou com tudo no Masters 1000 de Paris: derrotou de virada o canadense Denis Shapovalov, que ocupava o 24º lugar na ocasião. Na rodada seguinte, o brasileiro foi superado pelo russo Karen Khachanov e deu adeus ao torneio francês.

    Terminou em Paris a temporada histórica de João Fonseca, que por conta de uma lombalgia, desistiu de competir o ATP 250 de Atenas (Grécia), último torneio que competiria em 2025. Ao encerrar o ano como número 24 do mundo, o carioca comemorou mais do que nunca a decisão tomada em 2024 de seguir carreira como tenista profissional.

    “Foi um ano maravilhoso. As coisas aconteceram rápido nas nossas vidas. Minha temporada começou no Next Gen de 2024. Cheguei à primeira chave principal de Grand Slam [Aberto da Australia], ganhei do Rublev e, a partir daí, foi só para cima. Muito grato por tudo”, disse o jovem carioca, durante coletiva em novembro no Rio de Janeiro. 

    Ao final do ano, João enfrentou o número 1 do mundo Carlos Alcaraz em uma partida de exibição, em Miami. “Foi muito especial jogar com o João”, afirmou o espanhol após vitória sobre o brasileiro por 2 sets a 1 – Reprodução Instagram/João Fonseca

    A última grande atuação do ano de João Fonseca foi numa partida de exibição contra o espanhol Carlos Alcaraz, de 22 anos, atual número 1 do mundo, no Miami Invitational, nos Estados Unidos. O jogo começou de forma descontraída e, aos poucos, o brasileiro equilibrou o duelo. No entanto, Alcaraz levou a melhor no finalzinho por 7/5. Na parcial seguinte, João sobrou em quadra – ganhou por 6/2 – e forçou o match tie-break (set de desempate).

    O carioca seguiu altivo diante do espanhol e chegou a abrir 5 a 0 de vantagem. Quando a vitória parecia encaminhada para o brasileiro, Alcaraz emplacou uma reação excepcional, fazendo jus ao posto de número 1 do mundo: ganhou tie-break por 10/8 e a partida por 2 sets a 1, após 1h29min. Ao fim do jogo amistoso, ambos eram só sorrisos. “Quase consegui, pessoal”, disse João na entrevista, dirigindo-se diretamente à torcida. Com um futuro promissor, não é difícil imaginar embates do brasileiro contra o espanhol em torneios da ATP, que valem pontos no ranking. É só uma questão de tempo.

    Agems é incluída na ‘lista positiva’ da ANA em resíduos sólidos e garante conformidade regulatória para MS

    Com a inovação do Selo de Sustentabilidade, Agência Estadual valida gestão de resíduos em Alcinópolis e Maracaju, assegurando acesso a recursos federais e investimentos que beneficiam a população

    A atuação inovadora da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul (Agems) em saneamento alcançou um resultado estratégico em 2025: a inclusão oficial na “lista positiva” da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) no componente de resíduos sólidos.

    O reconhecimento confirma que a Agems cumpre rigorosamente as Normas de Referência nacionais sobre a sustentabilidade econômico-financeira do serviço e sobre a regulação obrigatória que atesta a conformidade da prestação. É essa eficiência que permite que os municípios regulados e certificados tenham segurança jurídica e acesso a investimentos da União.

    O grande motor dessa conquista foi o Selo de Sustentabilidade em Resíduos Sólidos Urbanos, uma ferramenta criada pela Agems para atestar a conformidade e a saúde financeira dos serviços municipais.

    “A presença da Agems na lista positiva da ANA é a prova de que nossa regulação é moderna e eficaz. Nós certificamos os municípios para que eles tenham a segurança de que estão no caminho certo, protegendo o meio ambiente e garantindo investimentos para a nossa população”, afirma o diretor-presidente, Carlos Alberto de Assis.

    Construção do Protagonismo

    A trajetória da Agems para liderar essa lista começou com a necessidade de organizar o setor após o Novo Marco Legal do Saneamento. Para não deixar os municípios à mercê de incertezas técnicas, a Agência inovou em regulamentos, projetos e regulação proativa.

    Criou o Selo de Sustentabilidade em Resíduos Sólidos Urbanos – formalmente instituído pela Portaria 298/2025, depois e passar por consulta pública. O Selo estabeleceu um critério de excelência inédito no Brasil.

    E em vez de apenas fiscalizar, a Agência passou a certificar a gestão municipal, garantindo que o envio de dados para a ANA fosse preciso e robusto.

    Para que um município seja validado pela Agems e figure na lista positiva, ele precisa passar por um rigoroso sistema de avaliação baseado em pilares ESG (Ambiental, Social e Governança):

    1. Autoavaliação e Auditoria: A Agems cruza dados de autoavaliação dos gestores com uma auditoria técnica detalhada, de mais de 400 itens).
    2. Sustentabilidade Financeira: É verificado se o município possui taxa ou tarifa de lixo eficiente, que permita realmente executar o serviço com a qualidade e eficiência necessárias, conforme exigido pela NR1 da ANA.
    3. Conformidade Normativa: A Agems envia à ANA seus próprios atos normativos, comprovando que a regulação estadual está alinhada às diretrizes nacionais.

    Municípios Certificados: Alcinópolis e Maracaju

    Neste ciclo de 2025, a Agência certificou dois municípios que se tornaram os primeiros a colher os frutos da regulação estadual na lista da ANA:

    • Maracaju (Selo Platina): Validado com o grau de excelência pela AGEMS, cumprindo todos os requisitos de sustentabilidade e eficiência.
    • Alcinópolis (Selo Prata): Certificado por sua organização técnica e conformidade documental.

    Graças à certificação estadual, esses municípios são reconhecidos pela ANA como aptos a contratar financiamentos com recursos da União e geridos por órgãos federais, como o BNDES e a Caixa.

    “A conquista da Agems na lista positiva de 2025 é apenas o começo. Nós já estamos preparando a expansão do Selo de Sustentabilidade”, revela a coordenadora de Regulação Econômica, Lucélia Tashima. “Para o próximo ano, 46 Municípios conveniados farão parte do processo de diagnóstico para novas certificações. A meta é ampliar o número de municípios certificados até a abertura do próximo ciclo ordinário da ANA, prevista para maio de 2026”.

    Gizele Oliveira e Lucélia Tashima, Comunicação Agems
    Fotos: Cleidiomar Barbosa/Agems