{"id":21865,"date":"2024-03-24T00:12:54","date_gmt":"2024-03-24T03:12:54","guid":{"rendered":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/2024\/03\/24\/pesquisador-da-usp-mostra-os-efeitos-da-realidade-virtual-sobre-a-sociedade\/"},"modified":"2024-03-24T00:12:54","modified_gmt":"2024-03-24T03:12:54","slug":"pesquisador-da-usp-mostra-os-efeitos-da-realidade-virtual-sobre-a-sociedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/2024\/03\/24\/pesquisador-da-usp-mostra-os-efeitos-da-realidade-virtual-sobre-a-sociedade\/","title":{"rendered":"Pesquisador da USP mostra os efeitos da realidade virtual sobre a sociedade"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.saopaulo.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/Captura-de-Tela-18-e1710875122709.png\" \/><\/p>\n<div id=\"\">&#13;<\/p>\n<figure id=\"attachment_5844190\" style=\"width: 100%;max-width: 1147px\" class=\"wp-caption alignnone\"><figcaption class=\"wp-caption-text\">Esses dispositivos podem deixar os indiv\u00edduos dependentes, de forma que eles se tornem escravos da tecnologia<\/figcaption><\/figure>\n<p>Em 2024, a Apple lan\u00e7ou um \u00f3culos de realidade aumentada, o Vision Pro, que, segundo palavras da pr\u00f3pria empresa, \u00e9 um \u201ccomputador espacial revolucion\u00e1rio que combina perfeitamente o mundo real e virtual\u201d. O equipamento \u00e9 controlado por meio da combina\u00e7\u00e3o de m\u00e3os, olhos e voz e possibilita que os usu\u00e1rios acessem aplicativos, assistam a filmes ou, at\u00e9 mesmo, tenham seu local de trabalho cibern\u00e9tico.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a realidade aumentada, ou mista, transforma o mundo real em um espa\u00e7o modificado, sobrepondo objetos reais por virtuais \u2014 assim como na tecnologia da empresa norte-americana. De maneira diferente, a realidade virtual consiste basicamente em um universo constru\u00eddo totalmente de maneira computacional e imersivo, respons\u00e1vel por criar imagens semelhantes \u00e0 realidade.<\/p>\n<p>O professor Marcio Lobo Netto, do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletr\u00f4nicos da Escola Polit\u00e9cnica (Poli) da Universidade de S\u00e3o Paulo, desenvolve sobre essa uni\u00e3o entre tecnologia e a vis\u00e3o: \u201cO sentido da vis\u00e3o \u00e9 o sentido mais rico, ou seja, aquele que nos d\u00e1 um acesso mais completo para entender e vivenciar o mundo ao nosso redor. Esses novos dispositivos t\u00eam uma qualidade visual muito importante e isso faz toda a diferen\u00e7a, porque voc\u00ea se envolve como se fosse de fato real\u201d. Ele ainda completa que a rela\u00e7\u00e3o entre vis\u00e3o e o modo de uso, por meio de gestos com as m\u00e3os, aproxima ainda mais os usu\u00e1rios do mundo real.<\/p>\n<p><b>Sociedade cibern\u00e9tica<\/b><\/p>\n<p>A evolu\u00e7\u00e3o dessa tecnologia pode proporcionar avan\u00e7os muito importantes para a \u00e1rea de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, militar, entre outras; por exemplo, a realidade aumentada pode auxiliar em procedimentos cir\u00fargicos que s\u00e3o mais complicados, no tratamento de doen\u00e7as psiqui\u00e1tricas ou em exames. \u201cEm uma an\u00e1lise cl\u00ednica, h\u00e1 a ideia do raio X, do m\u00e9dico poder chegar a um paciente usando um \u00f3culos desse e obtendo imagens. Essas imagens s\u00e3o superpostas \u00e0quilo que est\u00e1 sendo observado na realidade, dando a impress\u00e3o de que voc\u00ea est\u00e1 enxergando realmente atrav\u00e9s do corpo\u201d, analisa o docente.<\/p>\n<p>O doutorando da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas (FFLCH) da USP, Marcus Repa, discorre: \u201c\u00c9 algo bem interessante do ponto de vista de imers\u00e3o, por exemplo, se aproximar e entrar no filme ou em uma pe\u00e7a de teatro. Ter informa\u00e7\u00f5es em tempo real caminhando pela cidade, olhar para um pr\u00e9dio e saber quando ele foi constru\u00eddo, ter toda uma cadeia bibliogr\u00e1fica e fontes\u201d. Ele tamb\u00e9m ressalta a import\u00e2ncia que pode ter no compartilhamento de informa\u00e7\u00f5es em escolas.<\/p>\n<p>Contudo, ele aponta para o fato de que os dispositivos atuais s\u00e3o caros e, dessa maneira, se tornam uma tecnologia concentrada na m\u00e3o de poucas pessoas, o que dificulta seu acesso para popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis. Assim, esse pequeno grupo privilegiado tem capacidade de controlar narrativas e discursos sociais, uma vez que ter\u00e1 o conhecimento da linguagem que est\u00e1 sendo constru\u00edda e pode usar isso para benef\u00edcio pr\u00f3prio.<\/p>\n<p><b>Homem x m\u00e1quina<\/b><\/p>\n<p>Segundo Netto, esses dispositivos podem deixar os indiv\u00edduos dependentes, de forma que eles se tornem escravos da tecnologia, querendo us\u00e1-las a todo momento \u2014 assim como j\u00e1 acontece com os celulares ou videogames. Ele afirma que, na medida em que os equipamentos s\u00e3o atraentes ao p\u00fablico, eles criam um afastamento do conv\u00edvio social, inclusive do ambiente dom\u00e9stico: \u201cH\u00e1 uma depend\u00eancia muito grande, na qual a pessoa fica presa ao dispositivo para fazer qualquer coisa. Todo mundo fica \u2018plugado\u2019 nos dispositivos\u201d.<\/p>\n<p>No entanto, o professor ainda apresenta: \u201cPor outro lado, ele aproxima as pessoas, porque permite, talvez de uma forma mais agrad\u00e1vel, um conv\u00edvio naquelas rela\u00e7\u00f5es que s\u00e3o realmente distantes. Voc\u00ea pode estar conversando com uma pessoa longe e ter a sensa\u00e7\u00e3o, pelo menos visual, de que ela est\u00e1 pr\u00f3xima de voc\u00ea\u201d. Assim, ele disserta que isso pode ser convidativo para que os indiv\u00edduos se interessem por essa tecnologia, a fim de possuir relacionamentos distantes com maior facilidade e frequ\u00eancia.<\/p>\n<p>Para o docente, a realidade virtual apresenta duas linhas: uma individual e outra coletiva \u2014 em que v\u00e1rias pessoas presenciam a mesma experi\u00eancia e se encontram no mesmo ambiente cibern\u00e9tico, mas cada uma usando seus pr\u00f3prios \u00f3culos de realidade virtual.<\/p>\n<p>Sob outro ponto de vista, Leonardo Goldberg, pesquisador do Instituto de Psicologia (IP) da USP, aborda uma vis\u00e3o ambivalente da realidade virtual, visto que, quando o indiv\u00edduo est\u00e1 imerso na tecnologia, especialmente nas redes sociais, ele est\u00e1 se relacionando com diferentes pessoas de diferentes lugares baseado em seu algoritmo pessoal, ou seja, seus gostos e afinidades individuais.<\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, bolhas sociais extremamente im\u00f3veis s\u00e3o constru\u00eddas, o que pode contribuir para o surgimento de problemas, desde familiares at\u00e9 pol\u00edtico-sociais, com pessoas de grupos diferentes. Ademais, esses dispositivos interferem diretamente no encontro casual entre os indiv\u00edduos: \u201cEu marco com alguns colegas para sair e isso inclui uma dimens\u00e3o da casa. Mas, se eu marco para jogar um certo jogo com eles, ou alguma dimens\u00e3o bastante protegida pelas telas, isso praticamente exclui a dimens\u00e3o do indeterminado\u201d. O especialista afirma que isso empobrece a qualidade das rela\u00e7\u00f5es, transformando-as em um ritual repetitivo e mon\u00f3tono.<\/p>\n<p><b>Potencial tecnol\u00f3gico<\/b><\/p>\n<p>\u201cA realidade virtual tem alguns trip\u00e9s: a ideia de imers\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o apenas ver a imagem, mas ter a sensa\u00e7\u00e3o de que aquilo que est\u00e1 sendo apresentado \u00e9 muito pr\u00f3ximo do real; a quest\u00e3o da intera\u00e7\u00e3o, de voc\u00ea poder se relacionar com aquilo que est\u00e1 sendo visto e manipular os objetos; e a pr\u00f3pria simula\u00e7\u00e3o que est\u00e1 por tr\u00e1s e que permite a realiza\u00e7\u00e3o dessas coisas\u201d, explica Netto. Ele ainda complementa que as tecnologias est\u00e3o proporcionando situa\u00e7\u00f5es cada vez melhores, a partir de seu desenvolvimento.<\/p>\n<p>Goldberg aponta que existe uma descontinuidade na hist\u00f3ria, desde a inven\u00e7\u00e3o do computador port\u00e1til e da prolifera\u00e7\u00e3o do mundo digital, e que o est\u00e1gio avan\u00e7ado da realidade virtual pode n\u00e3o ser percept\u00edvel. Isto \u00e9, n\u00e3o seria poss\u00edvel distinguir o que \u00e9 a dimens\u00e3o digital e o que \u00e9 a realidade e, nesse sentido, em meados dos anos 1990, foi inventado o termo\u00a0\u201ccomputa\u00e7\u00e3o umb\u00edqua\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 aquela no\u00e7\u00e3o da teologia que vai dizer que Deus est\u00e1 em todos os lugares e ao mesmo tempo. Eu acho que a gente vive essa dimens\u00e3o na atualidade, com os dispositivos tecnol\u00f3gicos, como os rel\u00f3gios, \u00f3culos e fones de ouvido, ou seja, tudo aquilo que \u00e9 inclu\u00eddo enquanto vestimenta na nossa rotina\u201d, comenta.<\/p>\n<p>Dessa forma, o psic\u00f3logo afirma que n\u00e3o consegue imaginar um limite para a realidade virtual, caso ela seja considerada uma esp\u00e9cie de pr\u00f3tese das incapacidades e limita\u00e7\u00f5es humanas, uma vez que sempre s\u00e3o inventadas novas tecnologias que aumentam essa margem de crescimento. \u201cTalvez o limite seja muito mais terreno do que a gente tem impress\u00e3o, quer dizer, talvez seja replicar o desejo do sujeito, ou seja, toda essa dimens\u00e3o mais mundana\u201d, finaliza.<\/p>\n<p>Siga o canal \u201cGoverno de S\u00e3o Paulo\u201d no WhatsApp:<br \/>https:\/\/bit.ly\/govspnozap<\/p>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#13; Esses dispositivos podem deixar os indiv\u00edduos dependentes, de forma que eles se tornem escravos da tecnologia Em 2024, a<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-21865","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ejornais"],"aioseo_notices":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21865","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21865"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21865\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21865"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21865"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21865"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}