{"id":24541,"date":"2024-05-05T08:31:42","date_gmt":"2024-05-05T11:31:42","guid":{"rendered":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/2024\/05\/05\/agencia-minas-gerais-descoberta-de-luzia-um-dos-esqueletos-mais-antigos-das-americas-completa-50-anos\/"},"modified":"2024-05-05T08:31:42","modified_gmt":"2024-05-05T11:31:42","slug":"agencia-minas-gerais-descoberta-de-luzia-um-dos-esqueletos-mais-antigos-das-americas-completa-50-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/2024\/05\/05\/agencia-minas-gerais-descoberta-de-luzia-um-dos-esqueletos-mais-antigos-das-americas-completa-50-anos\/","title":{"rendered":"Ag\u00eancia Minas Gerais | Descoberta de Luzia, um dos esqueletos mais antigos das Am\u00e9ricas, completa 50 anos"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<section class=\"news-related \/ col-md-4 col-lg-3 \/ margin-md-bottom-2 margin-left-1 \/ pull-right \/ hidden-xs hidden-sm\">\n<header>\n<p class=\"text-title-section \/ margin-bottom-1\">Relacionadas<\/p>\n<\/header>\n<p>\t\t\t\t\t\t\t<main><\/p>\n<hr class=\"row margin-md-bottom-2\"\/>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/main><br \/>\n\t\t\t\t\t\t<\/section>\n<p>H\u00e1 exatos 50 anos, Minas Gerais se tornava protagonista da hist\u00f3ria que mexeu e ainda mexe com a ci\u00eancia mundial: a descoberta dos restos de Luzia, um dos esqueletos mais antigos j\u00e1 encontrados nas Am\u00e9ricas.<br \/>&#13;<br \/>\n\u00a0<\/p>\n<figure class=\"image\" style=\"float:left\">&#13;<figcaption><sub><em>Robson Santos \/ Sisema<\/em><\/sub><\/figcaption>&#13;<br \/>\n<\/figure>\n<p>Foi em 1974, na regi\u00e3o de Lapa Vermelha, em Pedro Leopoldo, na Regi\u00e3o Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), que os primeiros ossos de Luzia foram achados, durante as escava\u00e7\u00f5es lideradas pela arque\u00f3loga francesa Annette Laming-Emperaire.<\/p>\n<p>Meio s\u00e9culo depois, o local tem a prote\u00e7\u00e3o do Instituto Estadual de Florestas (IEF) e atrai pesquisadores do mundo todo.<\/p>\n<p>Desde a descoberta, o espa\u00e7o permanece intocado e \u00e9 parte da Unidade de Conserva\u00e7\u00e3o (UC) Monumento Natural Estadual Lapa Vermelha, composta por v\u00e1rios s\u00edtios arqueol\u00f3gicos em uma \u00e1rea de 33,7 hectares.<\/p>\n<p>\u201cA principal prote\u00e7\u00e3o \u00e9 a restri\u00e7\u00e3o de visitas a pesquisadores e estudiosos, al\u00e9m do cercamento para evitar a presen\u00e7a de animais de grande porte por aqui\u201d, comenta o gerente da unidade, Jos\u00e9 Roberto da Costa.<\/p>\n<p>Localizada em uma propriedade particular, parceira do IEF, a unidade autoriza as visitas t\u00e9cnicas, somente com acompanhamento do instituto, para a seguran\u00e7a do s\u00edtio arqueol\u00f3gico.<\/p>\n<p>O local possui ambientes intactos, pinturas e gravuras espalhadas em suportes rochosos, como testemunhos da mem\u00f3ria pr\u00e9-colonial.<\/p>\n<p>\u201cA descoberta de Luzia \u00e9 um dos marcos da arqueologia, e representa o contexto do povoamento do nosso continente\u201d, comenta o arque\u00f3logo do IEF, Leandro Vieira.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<figure class=\"image\" style=\"float:right\">&#13;<figcaption><sub><em>Robson Santos \/ Sisema<\/em><\/sub><\/figcaption>&#13;<br \/>\n<\/figure>\n<p><strong>Descoberta<\/strong><\/p>\n<p>Atra\u00edda pelos achados de Peter Lund em Lagoa Santa, no s\u00e9culo 19, e tamb\u00e9m pelas pinturas rupestres da regi\u00e3o, a francesa Annette Laming-Emperaire liderou, na d\u00e9cada de 1970, a miss\u00e3o Franco-Brasileira, com aproximadamente 25 arque\u00f3logos, para escavar Lapa Vermelha.<\/p>\n<p>O arque\u00f3logo franc\u00eas e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Andr\u00e9 Pierre Prous, participou desse trabalho.<\/p>\n<p>\u201cA regi\u00e3o foi escolhida pela perspectiva de se encontrar ali as coisas intactas e preservadas, gra\u00e7as ao tipo de solo e a pouca ocupa\u00e7\u00e3o do lugar\u201d, conta Prous.<\/p>\n<p>Ele relata que o trabalho foi autorizado com a condi\u00e7\u00e3o de se tornar uma escola de escava\u00e7\u00e3o para arque\u00f3logos no Brasil, j\u00e1 que n\u00e3o havia tantos profissionais no pa\u00eds naquela \u00e9poca. Participaram pessoas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Esp\u00edrito Santo, entre outros.<\/p>\n<figure class=\"image\" style=\"float:left\">&#13;<figcaption><sub><em>Robson Santos \/ Sisema<\/em><\/sub><\/figcaption>&#13;<br \/>\n<\/figure>\n<p>Em 1973, a equipe localizou as primeiras pinturas rupestres, que chamaram a aten\u00e7\u00e3o da arque\u00f3loga francesa.<\/p>\n<p>\u201cEm 1974, encontramos os primeiros ossos da Luzia como bra\u00e7os, bacia, pernas. Eles estavam espalhados pelo s\u00edtio arqueol\u00f3gico\u201d, relembra Prous.<\/p>\n<p>O cr\u00e2nio foi achado em 1975, em uma cavidade mais profunda. Estima-se que Luzia viveu na regi\u00e3o h\u00e1 cerca de 11 mil anos.<\/p>\n<p><strong>A mulher Luzia<\/strong><\/p>\n<p>Luzia foi identificada como uma mulher jovem de 20 anos, encontrada sem outros vest\u00edgios humanos e pr\u00f3xima a uma cavidade, sem uma explica\u00e7\u00e3o clara para sua morte.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cEla pode ter fugido de alguma coisa, pode ter se escondido de algo. N\u00e3o tem marcas nos ossos que indiquem que ela fugiu de uma fera. Mas o motivo \u00e9 irrelevante em termos de reconstitui\u00e7\u00e3o do povoamento das Am\u00e9ricas\u201d, diz Andr\u00e9 Prous.<\/p>\n<p>Por outro lado, uma das hip\u00f3teses para a vida dessa mulher, segundo Leandro Vieira, \u00e9 a de que \u201cela pertencia a grupos n\u00f4mades, chamados de ca\u00e7ador-coletor, um tipo de sociedade que vivia exclusivamente da ca\u00e7a, coleta e pesca, sendo muito dependentes da natureza\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com Prous, uma das maiores contribui\u00e7\u00f5es da Luzia \u201cfoi ter ajudado a aumentar o interesse pela pr\u00e9-hist\u00f3ria brasileira, por ter cunhado uma figura ic\u00f4nica, facilmente lembrada por todos\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<figure class=\"image\" style=\"float:right\">&#13;<figcaption><sub><em>Robson Santos \/ Sisema<\/em><\/sub><\/figcaption>&#13;<br \/>\n<\/figure>\n<p><strong>Cr\u00e2nio<\/strong><\/p>\n<p>O cr\u00e2nio de Luzia ficou guardado por 20 anos no Museu Nacional do Rio de Janeiro, institui\u00e7\u00e3o parceira da miss\u00e3o Franco-Brasileira.<\/p>\n<p>Em 1995, os cientistas come\u00e7aram a estudar a morfologia do esqueleto e, em 1998, pesquisas do bioantrop\u00f3logo Walter Neves revelaram que as caracter\u00edsticas do cr\u00e2nio lembravam as dos atuais africanos e abor\u00edgenes da Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p>Walter Neves foi quem batizou Luzia, em homenagem a Lucy, esqueleto de 3,5 milh\u00f5es de anos achado na Eti\u00f3pia, em 1974.<\/p>\n<p>Em 1999, o antrop\u00f3logo forense brit\u00e2nico Richard Neave fez a reconstru\u00e7\u00e3o art\u00edstica do rosto de Luzia, com tra\u00e7os negroides.<\/p>\n<p>A pe\u00e7a estava no Museu Nacional quando a institui\u00e7\u00e3o pegou fogo, em 2018. No entanto, 80% dos fragmentos foram reencontrados pelas equipes de resgate. Atualmente, h\u00e1 uma r\u00e9plica de Luzia no Museu de Ci\u00eancias Naturais da PUC Minas, em Belo Horizonte.<\/p>\n<p>Apesar de a imagem de Luzia, com tra\u00e7os negroides, ser popularmente conhecida, novos estudos, com base em t\u00e9cnicas de arqueogen\u00e9tica, abrem a discuss\u00e3o para outras teorias sobre a origem de Luzia.<\/p>\n<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Relacionadas H\u00e1 exatos 50 anos, Minas Gerais se tornava protagonista da hist\u00f3ria que mexeu e ainda mexe com a ci\u00eancia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-24541","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ejornais"],"aioseo_notices":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24541","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24541"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24541\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24541"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24541"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24541"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}