{"id":27497,"date":"2024-06-18T07:59:33","date_gmt":"2024-06-18T10:59:33","guid":{"rendered":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/2024\/06\/18\/cascudo-criticamente-ameacado-de-extincao-e-avistado-em-caverna-de-bonito-apos-20-anos-agencia-de-noticias-do-governo-de-mato-grosso-do-sul\/"},"modified":"2024-06-18T07:59:33","modified_gmt":"2024-06-18T10:59:33","slug":"cascudo-criticamente-ameacado-de-extincao-e-avistado-em-caverna-de-bonito-apos-20-anos-agencia-de-noticias-do-governo-de-mato-grosso-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/2024\/06\/18\/cascudo-criticamente-ameacado-de-extincao-e-avistado-em-caverna-de-bonito-apos-20-anos-agencia-de-noticias-do-governo-de-mato-grosso-do-sul\/","title":{"rendered":"Cascudo criticamente amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o \u00e9 avistado em caverna de Bonito ap\u00f3s 20 anos \u2013 Ag\u00eancia de Noticias do Governo de Mato Grosso do Sul"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<figure id=\"attachment_479818\" aria-describedby=\"caption-attachment-479818\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><figcaption id=\"caption-attachment-479818\" class=\"wp-caption-text\">Exemplar coletado h\u00e1 d\u00e9cadas est\u00e1 em laborat\u00f3rio da UFMS (Foto: Leandro Melo)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Com apenas 10 cent\u00edmetros de comprimento, o Ancistrus formoso, mais conhecido como cascudo-cego das cavernas, foi avistado por pesquisadores durante expedi\u00e7\u00e3o entre o Bioparque Pantanal e institui\u00e7\u00f5es parceiras. O animal, criticamente amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o segundo o Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade (ICMBio), foi observado durante mergulho na nascente do rio Formoso, no munic\u00edpio de Bonito, no Mato Grosso do Sul.<\/p>\n<p>Participaram da expedi\u00e7\u00e3o Bioparque Pantanal, Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA) e Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar).<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o ter sido coletado, seu avistamento \u00e9 um sinal positivo, por se tratar de um animal end\u00eamico da regi\u00e3o, ou seja, que s\u00f3 existe naquele lugar, especificamente em um sistema de cavernas conhecido como Formoso e Formosinho. Outro fator tamb\u00e9m celebrado com a presen\u00e7a do animal \u00e9 a baixa densidade populacional da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de esp\u00e9cies amea\u00e7adas pode servir como indicador da sa\u00fade geral do ecossistema. Ambientes que suportam esp\u00e9cies raras ou amea\u00e7adas tendem a ser menos impactados por atividades humanas, indicando alta qualidade ambiental.<\/p>\n<figure id=\"attachment_479820\" aria-describedby=\"caption-attachment-479820\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><figcaption id=\"caption-attachment-479820\" class=\"wp-caption-text\">Diretora-geral do Bioparque Pantanal fez parte da equipe da expedi\u00e7\u00e3o (Foto: Eduardo Coutinho)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Conforme explicou a diretora-geral do Bioparque Pantanal, Maria Fernanda Balestieri, o avistamento do animal indica que a caverna oferece um habitat adequado para sua sobreviv\u00eancia. &#8220;Isso pode levar a esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o direcionados para proteger a esp\u00e9cie e o local onde vive, ajudando a preservar a biodiversidade da regi\u00e3o. Al\u00e9m disso, atrav\u00e9s de estudos, poderemos obter informa\u00e7\u00f5es valiosas sobre seus h\u00e1bitos, ecologia e necessidades, dados cruciais para desenvolver estrat\u00e9gias eficazes de conserva\u00e7\u00e3o e manejo.&#8221;<\/p>\n<p>Maria Fernanda ainda enfatiza que a confirma\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a do animal reveste-se de import\u00e2ncia ambiental. &#8220;A notabilidade se d\u00e1 principalmente por tr\u00eas fatores: por se tratar de uma esp\u00e9cie criticamente amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o, pela complexidade do trabalho e da log\u00edstica envolvida em uma expedi\u00e7\u00e3o em caverna inundada, e pela dificuldade de encontrar pesquisadores e profissionais com expertise para esse tipo de projeto de pesquisa.&#8221;<\/p>\n<p>O presidente da Sociedade Brasileira de Ictiologia, Dr. Leandro Melo de Sousa avistou a esp\u00e9cie recentemente durante um mergulho na expedi\u00e7\u00e3o. Ele revelou que este tipo de cascudo \u00e9 uma esp\u00e9cie enigm\u00e1tica. &#8220;N\u00e3o sabemos quase nada sobre ela; existem pouqu\u00edssimos exemplares coletados d\u00e9cadas atr\u00e1s. Um dos desafios mais dif\u00edceis desse tipo de estudo \u00e9 justamente acessar o ambiente; para entrar numa caverna alagada, \u00e9 necess\u00e1rio treinamento e planejamento.&#8221;<\/p>\n<p>Um fato interessante apontado por Leandro Sousa \u00e9 que o cascudo faz parte da fam\u00edlia dos bagres, existindo mais de mil esp\u00e9cies no Brasil. &#8220;Em qualquer espa\u00e7o aqu\u00e1tico que imaginarmos, h\u00e1 um cascudo adaptado a viver, seja em \u00e1gua parada, fria, quente, lago, corredeira ou caverna; \u00e9 um grupo muito interessante para ser estudado.&#8221;<\/p>\n<figure id=\"attachment_479821\" aria-describedby=\"caption-attachment-479821\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><figcaption id=\"caption-attachment-479821\" class=\"wp-caption-text\">Leandro Melo foi um dos pesquisadores que avistou o animal (Foto: Eduardo Coutinho)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Leandro mergulhou com Edmundo Dineli, mestre em geografia e bolsista da Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior (CAPES). Ele foi um dos bi\u00f3logos respons\u00e1veis pela coleta do animal h\u00e1 20 anos. &#8220;N\u00f3s fizemos um mergulho extenso, a 180 metros da entrada da caverna, e avistamos o animal em seu habitat natural. Uma caracter\u00edstica interessante desse animal \u00e9 que, ao contr\u00e1rio de seus parentes que vivem sob rochas, ele vive nas paredes&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>Bi\u00f3logo e doutor em ecologia, Jos\u00e9 Sabino foi quem descreveu a esp\u00e9cie h\u00e1 d\u00e9cadas atr\u00e1s. Segundo ele, a descri\u00e7\u00e3o de uma nova esp\u00e9cie \u00e9 um evento marcante para a ci\u00eancia e, de certa forma, mostra a beleza do processo evolutivo e revela tamb\u00e9m o quanto a biodiversidade \u00e9 desconhecida.<\/p>\n<p>\u201cDescrever a biodiversidade nos imp\u00f5e a responsabilidade de aprender e conservar as esp\u00e9cies com as quais compartilhamos o Planeta. Um cascudo n\u00e3o sabe de sua pr\u00f3pria exist\u00eancia ou se vai morrer. Ele apenas vive, come, se reproduz. Cabe a n\u00f3s, humanos, prover as condi\u00e7\u00f5es ambientais para que todos as outras criaturas possam seguir sua jornada. A regi\u00e3o da Serra da Bodoquena abriga sistemas aqu\u00e1ticos \u00fanicos no mundo que merecem nosso total respeito\u201d.<\/p>\n<p>Essa foi a primeira expedi\u00e7\u00e3o voltada para a coleta de uma esp\u00e9cie amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o, uma iniciativa do projeto Cascudos do Brasil, do Bioparque Pantanal no Centro de Conserva\u00e7\u00e3o de Peixes Neotropicais liderado por Heriberto Gimen\u00eas Junior, bi\u00f3logo curador do Bioparque que participou da expedi\u00e7\u00e3o e ressaltou a import\u00e2ncia do avistamento da esp\u00e9cie.<\/p>\n<figure id=\"attachment_479822\" aria-describedby=\"caption-attachment-479822\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><figcaption id=\"caption-attachment-479822\" class=\"wp-caption-text\">Heriberto \u00e9 fascinado por cascudos e tem grande conhecimento sobre as esp\u00e9cies (Foto: Eduardo Coutinho)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;\u00c9 o in\u00edcio de uma jornada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o de cascudos de caverna aqui no Brasil. Nossa ideia \u00e9 unir este time de especialistas, cada um contribuindo com sua expertise; n\u00f3s, como pesquisadores do Bioparque, temos como objetivo aplicar os protocolos de reprodu\u00e7\u00e3o ex-situ criados no Centro de Conserva\u00e7\u00e3o do empreendimento que det\u00e9m o maior acervo de cascudos do mundo, com 104 esp\u00e9cies de todo o Brasil. A partir disso, podemos criar pol\u00edticas de conserva\u00e7\u00e3o e realizar estudos populacionais, visando futuros repovoamentos com esp\u00e9cimes nascidos no Bioparque, garantindo que essa esp\u00e9cie n\u00e3o seja extinta na natureza\u201d.<\/p>\n<p>A professora doutora da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar), Maria Elina Bichuette, membro do Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia da Biodiversidade e Uso Sustent\u00e1vel de Peixes Neotropicais (INTC Peixes), financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq) e Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS), far\u00e1 o levantamento de dados para obter mais informa\u00e7\u00f5es sobre a esp\u00e9cie.<\/p>\n<figure id=\"attachment_479819\" aria-describedby=\"caption-attachment-479819\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><figcaption id=\"caption-attachment-479819\" class=\"wp-caption-text\">Pesquisadora ir\u00e1 organizar informa\u00e7\u00f5es sobre esp\u00e9cie coletada em caverna (Foto: Leandro Melo)<\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Temos uma lacuna de informa\u00e7\u00f5es sobre como est\u00e1 essa popula\u00e7\u00e3o de cascudos, mas \u00e9 fundamental entendermos como este animal est\u00e1 distribu\u00eddo. Temos poucas cavernas inundadas no Brasil, o que torna este animal ainda mais importante. Por ser dif\u00edcil de encontrar, torna-se raro e, portanto, deve ser um s\u00edmbolo importante para projetos de conserva\u00e7\u00e3o de peixes de caverna no Brasil. O mais importante n\u00e3o \u00e9 apenas mencionar que o animal est\u00e1 amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o, mas trabalhar para retir\u00e1-lo desse grau de amea\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, desde a descri\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie em 1997, n\u00e3o temos informa\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas e comportamentais mais detalhadas. Ele ser\u00e1 uma esp\u00e9cie guarda-chuva para o estudo da ictiofauna de cavernas; ou seja, sua conserva\u00e7\u00e3o resulta na preserva\u00e7\u00e3o de um grande n\u00famero de outras esp\u00e9cies e seus habitats.<\/p>\n<p><em>Rosana Lemes, Bioparque Pantanal<br \/><\/em><em>Fotos: Eduardo Coutinho e Leandro Melo<\/em><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Exemplar coletado h\u00e1 d\u00e9cadas est\u00e1 em laborat\u00f3rio da UFMS (Foto: Leandro Melo) Com apenas 10 cent\u00edmetros de comprimento, o Ancistrus<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-27497","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry"],"aioseo_notices":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27497","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27497"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27497\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27497"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27497"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27497"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}