{"id":47617,"date":"2025-06-28T11:49:53","date_gmt":"2025-06-28T14:49:53","guid":{"rendered":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/2025\/06\/28\/palestinas-no-brasil-usam-redes-contra-genocidio-e-estereotipos\/"},"modified":"2025-06-28T11:49:53","modified_gmt":"2025-06-28T14:49:53","slug":"palestinas-no-brasil-usam-redes-contra-genocidio-e-estereotipos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/2025\/06\/28\/palestinas-no-brasil-usam-redes-contra-genocidio-e-estereotipos\/","title":{"rendered":"Palestinas no Brasil usam redes contra genoc\u00eddio e estere\u00f3tipos"},"content":{"rendered":"<p> Por MRNews<br \/>\n<\/p>\n<div wp_automatic_readability=\"220.85473053892\">\n<p>As tecnologias digitais t\u00eam sido uma arma poderosa nas m\u00e3os de mulheres palestinas e suas descendentes vivendo no Brasil, discute a tese de doutorado que venceu o\u00a0Pr\u00eamio Comp\u00f3s de Teses e Disserta\u00e7\u00f5es Eduardo Pe\u00f1uela em 2025, promovido pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Programas de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Comunica\u00e7\u00e3o (Comp\u00f3s).<\/p>\n<p><strong>Por meio da internet, mulheres\u00a0comuns, como dentistas, comerciantes, psic\u00f3logas e estudantes, desafiam o controle e a censura das plataformas\u00a0para enfrentar o estere\u00f3tipo de submissas e\u00a0a xenofobia, despertando empatia para\u00a0conquistar apoio ao\u00a0fim da\u00a0crise humanit\u00e1ria na Palestina.<\/strong> Desde 2023, ataques israelenses \u00e0 Faixa de Gaza, parte ocidental do territ\u00f3rio palestino,\u00a0deixaram 56 mil pessoas mortas, situa\u00e7\u00e3o classificada como genoc\u00eddio por \u00f3rg\u00e3os das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), de direitos humanos e por pa\u00edses como o Brasil.\u00a0<\/p>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o do uso das tecnologias por essas mulheres como forma de\u00a0resist\u00eancia foi feita pela pesquisadora Simone Munir Dahleh \u2500 tamb\u00e9m uma descendente de palestinos no Brasil \u2500,\u00a0na tese de doutorado <em>A trama tecida por mulheres palestinas: relatos biogr\u00e1ficos dos usos t\u00e1ticos de tecnologias digitais<\/em>, desenvolvida pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).\u00a0<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2025\/06\/28\/ebc-e-destaque-no-premio-profissionais-da-musica\/\">EBC \u00e9 destaque no Pr\u00eamio Profissionais da M\u00fasica<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2025\/06\/28\/demanda-da-china-por-gelatina-medicinal-coloca-jumento-em-risco-de-extincao\/\">Demanda da China por gelatina medicinal coloca jumento em risco de extin\u00e7\u00e3o<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Longe do conflito, em que\u00a0mulheres e crian\u00e7as s\u00e3o as principais v\u00edtimas, Hanan, de 44 anos, \u00e9 uma dessas mulheres encontradas por Simone. Empres\u00e1ria\u00a0descendente de palestinos, ela publica, em suas redes, v\u00eddeos traduzidos para o portugu\u00eas. As imagens mostram\u00a0crian\u00e7as correndo risco de morte ou em priva\u00e7\u00e3o de diretos, not\u00edcias, cenas\u00a0de arquivo, informa\u00e7\u00f5es sobre o conflito e sobre a ocupa\u00e7\u00e3o por Israel, embora sua inten\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria seja divulgar os valores do islamismo, que \u00e9 sua religi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c(\u2026) Eu n\u00e3o gosto de ficar jogando esse foco espec\u00edfico na minha p\u00e1gina. (\u2026) Porque as imagens e o conte\u00fado s\u00e3o muito fortes, mas eu n\u00e3o posso deixar de postar, porque \u00e9 uma causa que tem que ser postada\u201d, afirmou Hanan, em entrevista \u00e0 Simone.<\/p>\n<p>A Faixa de Gaza \u00e9 um territ\u00f3rio palestino que tem sido alvo de intensos bombardeios e\u00a0ataques por terra do Ex\u00e9rcito de Israel desde um atentado do grupo isl\u00e2mico Hamas a\u00a0vilas israelenses, em outubro de 2023, que deixou cerca de 1,2 mil mortos e\u00a0fez 220\u00a0ref\u00e9ns. O Hamas, que governa Gaza,\u00a0sustenta que o ataque foi uma resposta ao cerco de mais de 17 anos imposto ao enclave e tamb\u00e9m\u00a0\u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios palestinos por Israel.<\/p>\n<p><strong>Os ataques israelenses contra a Faixa de Gaza, desde ent\u00e3o, j\u00e1 fizeram mais de 56 mil v\u00edtimas\u00a0e deixaram mais de 100 mil feridos, al\u00e9m de destru\u00edrem hospitais, escolas e todo tipo de infraestrutura que presta servi\u00e7os \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. <\/strong>Um bloqueio \u00e0s fronteiras do territ\u00f3rio tamb\u00e9m dificulta a entrada de alimentos e medicamentos, agravando a crise humanit\u00e1ria.\u00a0Segundo Israel, o objetivo \u00e9 resgatar os ref\u00e9ns que ainda est\u00e3o com o Hamas e eliminar o grupo completamente.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2025\/06\/28\/botafogo-e-palmeiras-abrem-oitavas-de-final-do-mundial-de-clubes\/\">Botafogo e Palmeiras abrem oitavas de final do Mundial de Clubes<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2025\/06\/28\/psol-pede-para-stf-suspender-decisao-que-derrubou-decreto-do-iof\/\">PSOL pede para STF suspender decis\u00e3o que derrubou decreto do IOF\u00a0<\/a><\/strong><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<h6 class=\"meta\"><!--copyright=424274-->Destro\u00e7os ap\u00f3s ataque israelense em Khan Younis, sul de Gaza, em 15\/5\/2025\u00a0<strong>REUTERS\/Hatem Khaled\/Proibida reprodu\u00e7\u00e3o<\/strong><!--END copyright=424274--><\/h6>\n<\/div>\n<h2>Censura nas redes<\/h2>\n<p><strong>O medo de ser censurada ou ter o perfil bloqueado por publicar conte\u00fados pr\u00f3-Palestina est\u00e1 entre essas mulheres.<\/strong> Algumas relatam tamb\u00e9m o receio de serem monitoradas ou impedidas de ingressar na Palestina, tanto por meio do aeroporto de Tel Aviv, em Israel, quanto em\u00a0passagens por outros pa\u00edses, como os Estados Unidos. H\u00e1 o medo tamb\u00e9m de serem taxadas como antissemitas, que \u00e9 o preconceito contra judeus.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cComo palestina e refugiada, tentamos, de todas as formas, por todos os meios de comunica\u00e7\u00e3o, levar a verdadeira hist\u00f3ria, mas est\u00e1 sendo dif\u00edcil, realmente, porque a gente est\u00e1 sendo bloqueada [nas plataformas digitais]. O\u00a0alcance, o engajamento, por exemplo, se antes era de 300 pessoas, agora n\u00e3o chega a 20\u201d, desabafa Maysar, dentista, imigrante e produtora de conte\u00fado. \u201cIsso tem sempre na hist\u00f3ria do lado do mais fraco, n\u00e3o \u00e9? E a gente est\u00e1 nessa luta firme e forte\u201d, disse ela, sobre os vieses na divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Maysar chegou ao Brasil quando era\u00a0crian\u00e7a e, hoje, tem 62 anos. Ela se tornou\u00a0atuante na causa palestina e migrat\u00f3ria e v\u00ea a internet como uma forma decisiva de expor as vozes das mulheres palestinas e defender a restitui\u00e7\u00e3o de direitos aos conterr\u00e2neos.<\/p>\n<p>De acordo com Simone, pesquisadora de Comunica\u00e7\u00e3o, as vozes dos palestinos s\u00e3o\u00a0silenciadas nas m\u00eddias tradicionais, situa\u00e7\u00e3o agravada por coberturas midi\u00e1ticas que ela considera estereotipadas. Portanto, <strong>para as mulheres palestinas ou descendentes vivendo no Brasil, \u201cse posicionar, mostrar a realidade do conflito \u00e9 uma necessidade\u201d, diz Simone<\/strong>, e se torna\u00a0uma \u201ca\u00e7\u00e3o t\u00e1tica\u201d. As entrevistadas, explica, usam v\u00e1rias vezes a express\u00e3o \u201ccolocar a cara a tapa\u201d, que \u00e9 quando elas se expressam, produzindo conte\u00fado e, assim, apresentando sua vis\u00e3o de mundo.<\/p>\n<h2>La\u00e7os com a Palestina<\/h2>\n<p>Por meio da tecnologia digital, a pesquisadora identificou tamb\u00e9m o esfor\u00e7o das entrevistadas para manter os la\u00e7os com a fam\u00edlia palestina, falar com parentes, escutar r\u00e1dios locais, m\u00fasicas e ora\u00e7\u00f5es em \u00e1rabe.\u00a0Al\u00e9m disso, elas buscam\u00a0publicar, nos seus perfis,\u00a0refer\u00eancias pessoais, objetos trazidos da regi\u00e3o, imagens das cidades antes dos bombardeios, de comidas t\u00edpicas e de familiares que ficaram l\u00e1.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-left\" wp_automatic_readability=\"6.5\">\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\" wp_automatic_readability=\"8\">\n<p>Maftoul, prato palestina \u00e0 base cuscuz.\u00a0<strong>Simone Munir\/Arquivo Pessoal<\/strong><!--END copyright=428796--><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Sabah*, por exemplo, uma imigrante de 43 anos, repete a publica\u00e7\u00e3o do v\u00eddeo da sobrinha, uma menina, vestindo trajes locais e cantando. \u201cEsse momento incr\u00edvel [\u00e9] da minha sobrinha linda, usando um vestido palestino, explicando para os colegas dela a receita de um prato t\u00edpico palestino. Eu amo esse v\u00eddeo\u201d, disse a comerciante, nas redes. \u201cEu assisto quase todos os dias\u201d, declarou, ao compartilhar.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Como forma de subverter o estere\u00f3tipo de mulheres submissas, as entrevistadas tamb\u00e9m guardam mem\u00f3ria de mulheres palestinas que fizeram hist\u00f3ria.<\/strong>\u00a0Elas citam a influ\u00eancia da rep\u00f3rter Shireen Abu Akleh, jornalista do canal \u00e1rabe Al Jazeera, assassinada em 2022, por soldados israelenses, enquanto fazia uma cobertura ao vivo. A rep\u00f3rter era uma estrela nacional e sua morte causou como\u00e7\u00e3o. No momento em que foi atingida, Shireen vestia capacete e colete \u00e0 prova de balas com a identifica\u00e7\u00e3o \u201cimprensa\u201d. Israel confirmou que a jornalista foi atingida \u201cacidentalmente\u201d.<\/p>\n<p>Outras palestinas mencionadas no estudo de Simone s\u00e3o Hanan Ashrawi, intelectual palestina e l\u00edder pol\u00edtica, Hyatt Omar, uma jovem ativista palestina-brasileira atuante nas redes sociais, e a guierrilheira\u00a0Leila Khaled.<\/p>\n<p>Com um trabalho repleto de imagens da Palestina e de mem\u00f3rias, como a colheita de azeitonas, dos tradicionais muros brancos das casas de Rafah, de pratos como o Maftoul, uma comida palestina \u00e0 base cuscuz, Simone afirma que sua inten\u00e7\u00e3o era ir al\u00e9m da defesa do reconhecimento da Palestina como um Estado. \u201cMostrar a riqueza deste povo, ouvir e difundir o relato de mulheres descendentes e imigrantes palestinas \u00e9 um modo de desmistificar a imagem que se t\u00eam deste grupo, como atrasadas, oprimidas e que n\u00e3o trabalham\u201d, diz logo na introdu\u00e7\u00e3o da tese.\u00a0<\/p>\n<blockquote wp_automatic_readability=\"13\">\n<p>\u201cO colonialismo e a desapropria\u00e7\u00e3o das terras palestinas ressaltam a necessidade de as interlocutoras\u00a0reafirmarem uma identidade nacional palestina, mesmo sendo descendentes\u201d, disse a pesquisadora, que voltou ao Brasil deportada de Israel com a m\u00e3e brasileira e o irm\u00e3o pequeno, aos 9 anos, em 2005.\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u201cPelas brechas, essas mulheres buscam desmistificar o papel de submiss\u00e3o atribu\u00eddo \u00e0s palestinas, minar as representa\u00e7\u00f5es que associam o terrorismo aos palestinos e discutir a ocupa\u00e7\u00e3o\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>De acordo com a Federa\u00e7\u00e3o \u00c1rabe Palestina do Brasil (Fepal), em 2020, o Brasil tinha cerca de 200 mil brasileiros-palestinos. O Rio Grande do Sul concentra boa parte essa popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>*Nome fict\u00edcio usado para preservar a identidade da entrevistada.<\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por MRNews As tecnologias digitais t\u00eam sido uma arma poderosa nas m\u00e3os de mulheres palestinas e suas descendentes vivendo no<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-47617","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ejornais"],"aioseo_notices":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47617","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47617"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47617\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47617"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47617"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47617"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}