{"id":49919,"date":"2025-08-05T15:29:00","date_gmt":"2025-08-05T18:29:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/2025\/08\/05\/porto-do-capim-representa-a-historia-viva-da-cidade-de-joao-pessoa\/"},"modified":"2025-08-05T15:29:00","modified_gmt":"2025-08-05T18:29:00","slug":"porto-do-capim-representa-a-historia-viva-da-cidade-de-joao-pessoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/2025\/08\/05\/porto-do-capim-representa-a-historia-viva-da-cidade-de-joao-pessoa\/","title":{"rendered":"Porto do Capim representa a hist\u00f3ria viva da cidade de Jo\u00e3o Pessoa"},"content":{"rendered":"<p><\/p>\n<div>\n<p>Caminhar pelas ruas do Porto do Capim, no bairro Varadouro, \u00e9 uma verdadeira viagem no tempo que remonta ao per\u00edodo da funda\u00e7\u00e3o da cidade de Jo\u00e3o Pessoa em 1585, h\u00e1 440 anos, sendo a terceira capital mais antiga do Brasil. Neste dia 5 de agosto, anivers\u00e1rio da cidade, diversas edifica\u00e7\u00f5es antigas, constru\u00eddas \u00e0s margens do Rio Sanhau\u00e1, um afluente do Rio Para\u00edba, fazem parte do cen\u00e1rio do Centro Hist\u00f3rico de Jo\u00e3o Pessoa.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<\/figure>\n<p>Na \u00e9poca, a cidade chamava-se \u2018Nossa Senhora das Neves\u2019. Posteriormente, passando a ser denominada de \u2018Filip\u00e9ia de Nossa Senhora das Neves\u2019, \u2018Frederikstadt\u2019, \u2018Parahyba do Norte\u2019, e, apenas em 1930, Jo\u00e3o Pessoa. A capital paraibana ganhou sua nomenclatura atual por decis\u00e3o da Assembleia Legislativa da Para\u00edba (ALPB), em homenagem ao ent\u00e3o presidente do estado, o advogado e pol\u00edtico paraibano Jo\u00e3o Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, assassinado no mesmo ano pelo jornalista Jo\u00e3o Dantas, na cidade do Recife.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, Jo\u00e3o Pessoa era candidato a vice-presidente da Rep\u00fablica, na chapa de Get\u00falio Vargas, pela Alian\u00e7a Liberal, contra J\u00falio Prestes. Sua morte teve grande impacto na pol\u00edtica brasileira, um dos fatores que desencadeou a Revolu\u00e7\u00e3o de 1930 e motivou a homenagem.<\/p>\n<p>O homem que deu nome \u00e0 cidade de Jo\u00e3o Pessoa nasceu no munic\u00edpio de Umbuzeiro, na regi\u00e3o do Agreste do Estado da Para\u00edba. Fazia parte de uma fam\u00edlia oligarca, sobrinho de Epit\u00e1cio Pessoa, que tamb\u00e9m foi chefe pol\u00edtico do estado. Ainda jovem foi morar no Rio Janeiro onde chegou ao cargo de Ministro do Superior Tribunal Militar, cargo que ocupava, quando foi chamado, por Epit\u00e1cio Pessoa, para ser Presidente da Para\u00edba (cargo que representa atualmente o governador).<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><\/figure>\n<\/figure>\n<p>Segundo a professora do Departamento de Hist\u00f3ria e do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o de Hist\u00f3ria da Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB), Ariane S\u00e1, a ocupa\u00e7\u00e3o portuguesa tinha uma l\u00f3gica baseada na produ\u00e7\u00e3o colonial, que era rural e agr\u00e1ria, entretanto, o controle da produ\u00e7\u00e3o era urbano. Cidades\/vilas coloniais deveriam atender \u00e0 seguinte l\u00f3gica: Ter centro administrativo, sede dos agentes do poder metropolitano e ser um ponto de intermedia\u00e7\u00e3o de mercadorias produzidas pela economia agropastoril.<\/p>\n<p>\u201cNo caso de Jo\u00e3o Pessoa, por uma quest\u00e3o estrat\u00e9gica, a cidade nasceu \u00e0s margens do Rio Sanhau\u00e1, favor\u00e1vel \u00e0 defesa contra os nativos e os estrangeiros. A cidade nasce no Varadouro \u2013 onde foi edificado um forte, um atracadouro para embarca\u00e7\u00f5es e a capela de Nossa Senhora das Neves. A liga\u00e7\u00e3o entre ambos faz surgir a primeira via de acesso, onde em 1710 \u00e9 instalada a Casa da P\u00f3lvora. Seguindo a constru\u00e7\u00e3o edificada da Bas\u00edlica de Nossa Senhora das Neves, surge a primeira rua \u2013 Rua Nova (atual General Os\u00f3rio), onde foram instalados a C\u00e2mara Municipal e o a\u00e7ougue e, depois, a Rua Direita (atual Duque de Caxias)\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Durante o per\u00edodo colonial a Pra\u00e7a Rio Branco, conhecida como o Largo do Er\u00e1rio, funcionava como um centro administrativo. \u201cNesse espa\u00e7o estavam localizados o Er\u00e1rio P\u00fablico, a C\u00e2mara Municipal, a cadeia, o mercado p\u00fablico, os Correios e a casa do Capit\u00e3o-mor. Era um espa\u00e7o de conviv\u00eancia onde ocorriam pronunciamentos oficiais e o com\u00e9rcio\u201d, disse. Hoje segue sendo uma \u00e1rea de conv\u00edvio social com a realiza\u00e7\u00e3o do projeto musical \u2018Sabadinho Bom\u2019, promovido pela Prefeitura todos os s\u00e1bados.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><\/figure>\n<\/figure>\n<p>A historiadora tamb\u00e9m chamou aten\u00e7\u00e3o para a quest\u00e3o religiosa. \u201cHavia tamb\u00e9m certa l\u00f3gica religiosa na defini\u00e7\u00e3o espacial na cidade, principalmente no que diz respeito \u00e0 \u00e1rea que corresponde ao que os historiadores denominam de quadril\u00e1tero, determinado pela constru\u00e7\u00e3o das ordens que aqui se instalaram \u2013 Franciscanos (o Convento e a Igreja de S\u00e3o Francisco); no outro extremo, o Convento dos Jesu\u00edtas e a Igreja de S\u00e3o Gon\u00e7alo; no outro quadrante, os carmelitas (Igreja do Carmo \u2013 Pra\u00e7a Dom Adauto) e os beneditinos (Igreja de S\u00e3o Bento)\u201d.<\/p>\n<p>Os crescimentos populacional e econ\u00f4mico da cidade foram forjados em fun\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio, pesca e da agricultura fortalecidos em fun\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o do Porto do Capim, um importante porto fluvial instalado principalmente para promover o escoamento da produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar. Com a constru\u00e7\u00e3o do Porto de Cabedelo, em 1935, a \u00e1rea do Porto do Capim experimentou um decl\u00ednio econ\u00f4mico. A comunidade ribeirinha seguiu com a atividade artesanal de pesca e comercializa\u00e7\u00e3o, o que promoveu o crescimento populacional da comunidade ribeirinha, que fincou suas ra\u00edzes no local ao longo de muitas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Revitaliza\u00e7\u00e3o<\/strong> \u2013 Nos dias atuais, a comunidade \u00e9 composta por aproximadamente 500 fam\u00edlias. O projeto de urbaniza\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o faz parte da implementa\u00e7\u00e3o do Novo PAC (Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento), na modalidade \u2018Periferia Viva \u2013 Urbaniza\u00e7\u00e3o de Favelas\u2019 do Minist\u00e9rio das Cidades, com um investimento previsto de mais de R$ 100 milh\u00f5es, com contrapartida da Prefeitura de Jo\u00e3o Pessoa de R$ 7 milh\u00f5es.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-4 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<\/figure>\n<p>O projeto envolve diversas frentes de trabalho que buscam preservar as riquezas patrimoniais hist\u00f3ricas e da comunidade local. Para ampliar o di\u00e1logo com os moradores foi criado o \u2018Plant\u00e3o Social\u2019, formado por engenheiros, t\u00e9cnicos sociais e arquitetos, orientados a esclarecer d\u00favidas e coletar sugest\u00f5es para, na medida do poss\u00edvel, serem incorporadas ao projeto original.<\/p>\n<p>O projeto do Porto do Capim prev\u00ea mudan\u00e7as em toda a infraestrutura do bairro, desde a parte vi\u00e1ria, saneamento, drenagem, ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica e habita\u00e7\u00e3o com planejamento que visa a reloca\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias residentes em \u00e1reas de risco, constru\u00e7\u00e3o e melhorias de moradias e pontos comerciais, al\u00e9m da revitaliza\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios hist\u00f3ricos tombados pelo patrim\u00f4nio. O projeto foi anunciado em 2024, mas o debate com a popula\u00e7\u00e3o local acontece desde o ano anterior, com a finalidade de ter garantias que mantivessem os moradores no territ\u00f3rio.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-5 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<\/figure>\n<p><strong>Projeto da Prefeitura \u2013<\/strong> A parte do projeto que cabe a Prefeitura de Jo\u00e3o Pessoa prev\u00ea interven\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m nas comunidades Vila Nassau, XV de Novembro, Curtume, Frei Vital e Papel\u00e3o. O projeto tem o objetivo de beneficiar mais de dois mil moradores carentes de infraestrutura b\u00e1sica da regi\u00e3o. O planejamento da gest\u00e3o municipal, dentro da perspectiva de manter a comunidade em seu local de origem, prev\u00ea altera\u00e7\u00f5es urban\u00edsticas, ambientais, habitacionais e sociais.<\/p>\n<p>Mensalmente s\u00e3o realizados \u2018Plant\u00f5es Sociais\u2019 no bairro para ouvir as reivindica\u00e7\u00f5es, sugest\u00f5es e cr\u00edticas dos moradores. \u201cA equipe geralmente \u00e9 formada por um assistente social, um engenheiro, um arquiteto e membros da equipe de planejamento da Secretaria de Habita\u00e7\u00e3o Social. No total, aproximadamente, 15 pessoas compareceram para obter informa\u00e7\u00f5es. Os questionamentos visam, basicamente esclarecer sobre a viabilidade, perman\u00eancia ou realoca\u00e7\u00e3o das resid\u00eancias e quest\u00f5es relativas \u00e0 infraestrutura\u201d, explicou Maidir Rocha, engenheira civil da Secretaria Municipal de Habita\u00e7\u00e3o Social (Semhab).<\/p>\n<p>Segundo ela, v\u00e1rias sugest\u00f5es foram encaminhadas pelos pescadores. \u201cEm fun\u00e7\u00e3o da grande quantidade de embarca\u00e7\u00f5es na \u00e1rea e da atividade dos trabalhadores foram sugeridas a instala\u00e7\u00e3o de rampas para o embarque e desembarque das embarca\u00e7\u00f5es e atracadouros\u201d, explicou.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-6 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<\/figure>\n<p>Para o pescador Cosme de Fran\u00e7a, de 75 anos, morador do bairro h\u00e1 45 anos, a constru\u00e7\u00e3o de rampas e atracadouros vai facilitar o trabalho dos pescadores. \u201cQuando eu vim morar no local haviam poucas casas pr\u00f3ximas ao rio, em 1965 e v\u00e1rios locais onde os barcos grandes atracavam. Mas hoje s\u00f3 tem essa passarela que constru\u00ed aqui perto da minha casa\u201d, relembra.<\/p>\n<p>Ele se refere a passarela de madeira \u2018Territ\u00f3rio Ribeirinha\u2019, usada para atracar barcos de pesca locais e de passeio, al\u00e9m de ponto de partida para a prociss\u00e3o fluvial pelo rio Sanhau\u00e1, que segue para a capela de Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o, realizada pelos moradores no m\u00eas de dezembro. \u00c9 tamb\u00e9m local de visita\u00e7\u00e3o para o turismo de experimenta\u00e7\u00e3o e usado pelos jovens para saltar no rio.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-7 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<\/figure>\n<p>O aposentado Orlando Alves, de 85 anos, vive no Porto do Capim h\u00e1 65 anos. \u201cComprei a casa por tr\u00eas contos. Ela caiu duas vezes, mas em 1991 constru\u00ed de tijolos e ela n\u00e3o caiu mais. Nessa \u00e1rea aqui quando eu vim morar j\u00e1 tinha todos esses pr\u00e9dios antigos\u201d, disse.<\/p>\n<p>Orlando e seu filho, Cl\u00e1udio Alves, 53 anos, aguardam com ansiedade as mudan\u00e7as que ser\u00e3o realizadas com o projeto de reurbaniza\u00e7\u00e3o do Porto do Capim e a revitaliza\u00e7\u00e3o dos acessos ao Rio Sanhau\u00e1. Orlando ressalta a \u00e9poca em que os pescadores traziam os produtos da feira pelo rio para vender na comunidade. J\u00e1 seu filho lembra da \u00e9poca em que tomava muito banho de rio na adolesc\u00eancia. \u201cVinha gente de outros bairros para tomar banho aqui, muita gente mesmo. Era muito bom\u201d, complementa.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-8 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><\/figure>\n<\/figure><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caminhar pelas ruas do Porto do Capim, no bairro Varadouro, \u00e9 uma verdadeira viagem no tempo que remonta ao per\u00edodo<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-49919","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ejornais"],"aioseo_notices":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49919","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49919"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49919\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49919"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49919"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49919"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}