{"id":59258,"date":"2026-01-18T13:31:00","date_gmt":"2026-01-18T16:31:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/2026\/01\/18\/ativistas-denunciam-blackface-em-fantasias-de-carnaval\/"},"modified":"2026-01-18T13:31:00","modified_gmt":"2026-01-18T16:31:00","slug":"ativistas-denunciam-blackface-em-fantasias-de-carnaval","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/2026\/01\/18\/ativistas-denunciam-blackface-em-fantasias-de-carnaval\/","title":{"rendered":"Ativistas denunciam &#8216;blackface&#8217; em fantasias de carnaval"},"content":{"rendered":"<p> Por MRNews<br \/>\n<\/p>\n<div wp_automatic_readability=\"171.30052724077\">\n<p>\u201c<em>Blackface<\/em> de cabelo\u201d \u00e9 uma das express\u00f5es cunhadas pela p\u00e1gina\u00a0na\u00a0internet Samba Abstrato para questionar o uso de perucas ou penteados afro por pessoas brancas no carnaval.\u00a0<strong>Como as fantasias de \u201cnega maluca\u201d e de \u201cind\u00edgena\u201d, que ridicularizam identidades raciais, o uso de cabelos crespos como adere\u00e7o por\u00a0foli\u00f5es brancos\u00a0tamb\u00e9m \u00e9 inadequado e racista<\/strong>, denunciam os ativistas que administram a p\u00e1gina e\u00a0se prop\u00f5em a falar sobre o tema no carnaval\u00a0h\u00e1 quase dez anos, pelo olhar de pessoas pretas.<\/p>\n<p>Com linguagem c\u00f4mica e sat\u00edrica, a p\u00e1gina denuncia o racismo\u00a0que faz parte do\u00a0branqueamento da festa momesca. Entre os principais sintomas\u00a0desse processo apontados por eles est\u00e1 a\u00a0escolha de mulheres brancas como passistas mesmo quando elas n\u00e3o sabem sambar \u2500 ou melhor, como alfineta a Samba Abstrato, mesmo que tenham o \u201csamba na ponta do bra\u00e7o\u201d. Essa escolha, em alguns casos, ainda vem acompanhada de simulacros de cabelos cacheados ou crespos.<\/p>\n<p><em>Blackface<\/em> \u00e9 uma pr\u00e1tica racista em que pessoas brancas utilizam artif\u00edcios como pintar a pele de preto, usar perucas ou outros acess\u00f3rios para simularem de forma caricata\u00a0caracter\u00edsticas f\u00edsicas de pessoas negras. O termo foi criado nos Estados Unidos, onde atores brancos usavam graxa, carv\u00e3o e outras ferramentas\u00a0para representarem pessoas negras no palco, de forma estereotipada e degradante. O \u201c<em>blackface<\/em> de cabelo\u201d, portanto, seria repetir esse tipo de agress\u00e3o, transformando os cabelos crespos em imita\u00e7\u00f5es depreciativas.\u00a0<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/01\/18\/tv-brasil-internacional-estreia-serie-sobre-a-cracolandia\/\">TV Brasil Internacional estreia s\u00e9rie sobre a Cracol\u00e2ndia<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/01\/18\/calderano-fica-com-bronze-em-doha-apos-derrota-para-jovem-chines\/\">Calderano fica com bronze em Doha ap\u00f3s derrota para jovem chin\u00eas<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Apesar de\u00a0avan\u00e7os recentes, o\u00a0cabelo afro\u00a0foi\u00a0taxado por anos\u00a0como \u201ccabelo ruim\u201d\u00a0ou \u201cfeio\u201d. Em entrevista \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>,\u00a0a diretoria da Samba Abstrato lembra que, por isso, mulheres negras foram humilhadas e preteridas, por exemplo, de vagas de emprego.\u00a0Quando chega o carnaval, no entanto, pessoas que n\u00e3o se envolvem na luta antirracista ou n\u00e3o valorizam a est\u00e9tica negra\u00a0decidem se fantasiar de\u00a0\u201cmulher preta\u201d. Para a Samba Abstrato, o\u00a0<em>blackface<\/em>\u00a0de cabelo \u00e9 uma continuidade da fantasia de \u201cnega maluca\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cDurante o ano inteiro, mulheres advogam a est\u00e9tica branca, usam cabelo liso, extremamente alinhado,\u00a0considerado \u2018bonito\u2019, \u2018adequado\u2019, representativo do que elas s\u00e3o\u00a0\u2013 o que est\u00e1 tudo bem\u00a0\u2013\u00a0\u00a0mas\u00a0a\u00ed, quando chega\u00a0o\u00a0carnaval, querem se fantasiar\u00a0de mulher negra? Isso \u00e9 caricato\u201d, reflete a diretoria da Samba Abstrato, em uma resposta coletiva de seus integrantes \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/p>\n<blockquote wp_automatic_readability=\"17\">\n<p>\u201cEnquanto mulheres negras s\u00e3o\u00a0despedidas\u00a0do emprego, discriminadas, impedidas de\u00a0trabalhar, seja\u00a0pelo\u00a0crespo natural ou\u00a0em\u00a0outro estilo, como tran\u00e7as, enquanto lutamos pela nossa vida real,\u00a0outras\u00a0fazem da nossa est\u00e9tica\u00a0[negra]\u00a0fantasia. Chega domingo de carnaval,\u00a0\u00faltimo dia,\u00a0tomam banho, voltam a alisar\u201d.\u00a0\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Nega\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a negra<\/h2>\n<p>Ao avaliar\u00a0o embranquecimento do carnaval por meio da participa\u00e7\u00e3o de mulheres brancas, tirando o protagonismo das passistas das comunidades, <strong>a Samba Abstrato denuncia o que o professor de jornalismo e diretor da FAAC da Universidade Estadual de S\u00e3o Paulo (Unesp), Juarez Tadeu de Paula Xavier,\u00a0chama de \u201caniquilamento social e cultural\u201d da popula\u00e7\u00e3o negra.<\/strong> Ele pesquisa as origens do racismo e as consequ\u00eancias atuais da pr\u00e1tica, incluindo epis\u00f3dios no carnaval.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/01\/18\/pesquisa-inedita-com-genoma-protege-especies-de-peixes-da-amazonia\/\">Pesquisa in\u00e9dita com genoma protege esp\u00e9cies de peixes da Amaz\u00f4nia<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/01\/18\/filhas-de-virginia-sao-diagnosticadas-com-hipertrofia-e-passarao-por-cirurgia\/\">Filhas de Virg\u00ednia s\u00e3o diagnosticadas com hipertrofia e passar\u00e3o por cirurgia<\/a><\/strong><\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-left\">\n<h6 class=\"meta\">Professor Juarez Tadeu de Paula Xavier, diretor da FAAC\/Unesp. Foto: Nat\u00e1lia Viola\/Divulga\u00e7\u00e3o<!--END copyright=450343--><\/h6>\n<\/div>\n<p>\u201cExiste um\u00a0 aniquilamento que \u00e9 f\u00edsico, os dados da letalidade de jovens negros mostram isso, e existe esse apagamento dos negros dos espa\u00e7os de visibilidade\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A nega\u00e7\u00e3o da beleza e o aniquilamento da cultura negra s\u00e3o parte desse processo, explica. \u201c\u00c9 a mesma proposta do p\u00f3s-aboli\u00e7\u00e3o, de negar a presen\u00e7a negra na constru\u00e7\u00e3o desse pa\u00eds. Os negros fundaram as bases do Estado brasileiro em uma situa\u00e7\u00e3o muito adversa\u201d, relembra o professor.<\/p>\n<p>Apesar de o carnaval, como conhecemos hoje, ser voltado, em termos est\u00e9ticos e pl\u00e1sticos, para a televis\u00e3o, como um produto a ser comercializado, pontua Xavier, a festa tem digitais negras.<\/p>\n<p>Segundo o professor de comunica\u00e7\u00e3o social, as escolas foram constru\u00eddas e mantidas por pretos e pardos como forma de sobreviv\u00eancia coletiva. Ele lembrou que o p\u00f3s-escravid\u00e3o se refletiu em \u201cexclus\u00e3o produtiva\u201d dessa popula\u00e7\u00e3o, que ficou sem acesso \u00e0 renda e ao trabalho, por exemplo.<\/p>\n<p>Para\u00a0Xavier, reverter esse processo\u00a0requer uma estrat\u00e9gia ampla de combate ao racismo e \u00e0 misoginia, da qual faz parte a campanha \u201cSem Racismo, o Carnaval Brilha Mais\u201d, do Minist\u00e9rio da Igualdade Racial (MIR), lan\u00e7ada na \u00faltima segunda-feira (12), no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>\u201cQuando voc\u00ea tem uma campanha com a marca do governo federal, est\u00e1 em evid\u00eancia uma a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica contra o racismo em espa\u00e7os onde podem surgir essas manifesta\u00e7\u00f5es\u201d, destaca.<\/p>\n<h2>Carnaval sem racismo<\/h2>\n<p>A campanha do minist\u00e9rio pretende divulgar, a partir de s\u00e1bado (17), material educativo alertando para pr\u00e1ticas como inj\u00faria racial e\u00a0fantasias ofensivas, al\u00e9m de viol\u00eancias simb\u00f3licas e discrimina\u00e7\u00e3o. O material ser\u00e1 distribu\u00eddo nas principais festas de carnaval no pa\u00eds, incluindo os munic\u00edpios que aderiram ao Plano Juventude Negra Viva.<\/p>\n<p><strong>Na vis\u00e3o do secret\u00e1rio de Combate ao Racismo do MIR, Tiago Santana, o carnaval j\u00e1 superou fantasias estereotipadas, mas h\u00e1 quem insista.<\/strong><\/p>\n<blockquote wp_automatic_readability=\"11\">\n<p>\u201cN\u00e3o cabem mais fantasias depreciativas sobre a cultura negra, religi\u00f5es afro, personagens negras, muito menos mulheres negras. Isso n\u00e3o d\u00e1 mais. N\u00e3o \u00e9 esse tipo de cultura de carnaval que o brasileiro quer\u201d, disse.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A campanha do minist\u00e9rio, explica, \u00e9 para enfrentar as agress\u00f5es diretas, as inj\u00farias, mas sem deixar de coibir que temas e a est\u00e9tica negra sirvam de \u201cpe\u00e7a de chacota\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<h6 class=\"meta\">\u00a0Minist\u00e9rio da Igualdade Racial lan\u00e7a campanha \u2018Sem Racismo o Carnaval Brilha Mais\u2019. Foto: Rafael Caetano\/MIR<!--END copyright=450221--><\/h6>\n<\/div>\n<h2>Denuncie<\/h2>\n<p>Com a campanha, o minist\u00e9rio tamb\u00e9m pretende incentivar as v\u00edtimas a registrarem as den\u00fancias por meio do Disque 100, do Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), e da Ouvidoria do Minist\u00e9rio\u00a0da igualdade Racial, pelo e-mail:\u00a0<a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/cdn-cgi\/l\/email-protection\" class=\"__cf_email__\" data-cfemail=\"a9c6dcdfc0cdc6dbc0c8e9c0cedcc8c5cdc8cdccdbc8cac0c8c587cec6df87cbdb\">[email\u00a0protected]<\/a>. Os dois \u00f3rg\u00e3os podem dar suporte e ajudar a denunciar os casos em \u00f3rg\u00e3os oficiais.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea for v\u00edtima, fa\u00e7a tamb\u00e9m em um boletim de ocorr\u00eancia, na delegacia de pol\u00edcia mais perto, recomenda o professor da Unesp. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio tipificar, processar, para que as pessoas respondam pela sua a\u00e7\u00e3o\u201d, frisou.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por MRNews \u201cBlackface de cabelo\u201d \u00e9 uma das express\u00f5es cunhadas pela p\u00e1gina\u00a0na\u00a0internet Samba Abstrato para questionar o uso de perucas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-59258","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ejornais"],"aioseo_notices":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59258","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59258"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59258\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59258"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59258"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59258"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}