{"id":63368,"date":"2026-04-01T09:12:44","date_gmt":"2026-04-01T12:12:44","guid":{"rendered":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/2026\/04\/01\/pesquisa-identifica-cela-em-que-ditadura-simulou-suicidio-de-herzog\/"},"modified":"2026-04-01T09:12:44","modified_gmt":"2026-04-01T12:12:44","slug":"pesquisa-identifica-cela-em-que-ditadura-simulou-suicidio-de-herzog","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/2026\/04\/01\/pesquisa-identifica-cela-em-que-ditadura-simulou-suicidio-de-herzog\/","title":{"rendered":"Pesquisa identifica cela em que ditadura simulou suic\u00eddio de Herzog"},"content":{"rendered":"<p> Por MRNews<br \/>\n<\/p>\n<div wp_automatic_readability=\"153.10567705213\">\n<p><strong>Pesquisa da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) identificou a cela em que agentes da ditadura militar simularam o suic\u00eddio do jornalista Vladimir Herzog.<\/strong> Ele foi torturado e assassinado em 25 de outubro de 1975, no DOI-Codi de S\u00e3o Paulo, \u00f3rg\u00e3o de repress\u00e3o da ditadura militar subordinado ao Ex\u00e9rcito que funcionou entre 1969 e 1983.<\/p>\n<p>Para Deborah Neves, doutora em hist\u00f3ria e p\u00f3s-doutoranda na Unifesp, a identifica\u00e7\u00e3o do local tem relev\u00e2ncia hist\u00f3rica e jur\u00eddica.<\/p>\n<blockquote wp_automatic_readability=\"8.175\">\n<p>\u201cLocalizar materialmente o espa\u00e7o onde a ditadura encenou o falso suic\u00eddio de Vladimir Herzog permite demonstrar, com base em evid\u00eancias cient\u00edficas, a materialidade de fraudes cometidas por agentes do Estado.\u201d<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/04\/01\/video-mostra-o-que-solange-couto-falou-diante-de-ana-paula-renault-apos-ser-eliminada-do-big-brother-brasil-26\/\">V\u00eddeo mostra o que Solange Couto falou diante de Ana Paula Renault ap\u00f3s ser eliminada do Big Brother Brasil 26<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/04\/01\/evocar-raizes-culturais-dos-alunos-transforma-a-aula-diz-pesquisador\/\">Evocar ra\u00edzes culturais dos alunos transforma a aula, diz pesquisador<\/a><\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>\u201cTrata-se de reconhecer o lugar onde se constru\u00edram mentiras oficiais que marcaram a hist\u00f3ria brasileira e que s\u00f3 agora, 50 anos depois, foi poss\u00edvel revelar, gra\u00e7as \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o garantida pelo tombamento e \u00e0s pesquisas hist\u00f3ricas, arqueol\u00f3gicas e arquitet\u00f4nicas no espa\u00e7o, feitas por universidades p\u00fablicas\u201d, afirmou.<\/strong><\/p>\n<p>Mais de 50 anos ap\u00f3s seu assassinato, o local exato em que o suic\u00eddio foi forjado ainda era incerto. Com base em evid\u00eancias documentais, periciais e arquitet\u00f4nicas, os estudos indicaram a sala espec\u00edfica, dentro do pr\u00e9dio, onde o corpo de Vlado foi registrado em fotografia, pendurado pelo pesco\u00e7o por uma esp\u00e9cie de cinto.<\/p>\n<p>Na farsa montada pelos agentes da repress\u00e3o, como era mais alto do que a janela em que foi pendurado, Herzog ficou com os p\u00e9s arrastando no ch\u00e3o e os joelhos dobrados. Al\u00e9m disso, seu corpo tinha marcas de tortura. A imagem deu visibilidade, na \u00e9poca, \u00e0 barbaridade cometida contra opositores do regime militar.\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-left\" wp_automatic_readability=\"6.5136138613861\">\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\" wp_automatic_readability=\"10\">\n<p><!--copyright=458211-->S\u00e3o Paulo (SP), 07\/03\/2026 \u2013 Pesquisadores da Unifesp identificam a cela do DOI-Codi onde Vladimir Herzog foi encontrado morto. A preserva\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas estruturais permitiu a identifica\u00e7\u00e3o.\u00a0Foto: Ac\u00e1ssia Deli\u00ea\/Divulga\u00e7\u00e3o \u2013 <strong>Ac\u00e1ssia Deli\u00ea\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><!--END copyright=458211--><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Os pesquisadores conclu\u00edram que Vlado foi pendurado em uma cela no primeiro andar, localizada no pr\u00e9dio dos fundos do conjunto onde funciona atualmente a 36\u00aa Delegacia, na Rua Tut\u00f3ia, 921. A preserva\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas estruturais permitiu a identifica\u00e7\u00e3o da cela, que foi confirmada como o cen\u00e1rio da fotografia divulgada na \u00e9poca.<\/p>\n<p>Foram identificados elementos construtivos compat\u00edveis com o ponto de fixa\u00e7\u00e3o de um ferrolho \u2013 esp\u00e9cie de trinco \u2013 vis\u00edvel em imagens de 1975, ainda identific\u00e1veis atualmente na alvenaria da cela analisada. Por meio de fotos hist\u00f3ricas da cela, foi poss\u00edvel comparar a pagina\u00e7\u00e3o e o padr\u00e3o gr\u00e1fico dos tacos na \u00e9poca ao que ainda existe no local, revelando uma correspond\u00eancia.<\/p>\n<h2>Fotografias e laudos periciais<\/h2>\n<p>Entre as a\u00e7\u00f5es, foi realizada ainda a an\u00e1lise dos laudos periciais de encontro do cad\u00e1ver de Jos\u00e9 Ferreira de Almeida, assassinado em agosto de 1975, e do pr\u00f3prio Herzog, assassinado meses depois; e de depoimentos anteriores do fot\u00f3grafo Silvaldo Leung Vieira, que registrou a cena forjada de suic\u00eddio do jornalista.<\/p>\n<p>A dificuldade de confirma\u00e7\u00e3o do local se dava, inclusive, porque a descri\u00e7\u00e3o dos peritos, no caso Herzog, n\u00e3o batia com os elementos vis\u00edveis no enquadramento registrado na fotografia. O laudo dizia, por exemplo, que a janela era do modelo vitr\u00f4, enquanto na imagem aparecem apenas blocos de vidro.<\/p>\n<p>Deborah Neves contou, em entrevista \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, que encontrou um elemento importante para a pesquisa no livro <em>A Casa da Vov\u00f3: uma biografia do DOI-Codi<\/em>, de Marcelo Godoy. Na obra, h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es sobre a morte do tenente da Pol\u00edcia Militar Jos\u00e9 Ferreira de Almeida, militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) preso e torturado por agentes da ditadura militar.<\/p>\n<p>Na ocasi\u00e3o, os militares disseram que o tenente havia cometido suic\u00eddio, tamb\u00e9m nas instala\u00e7\u00f5es do DOI-Codi de S\u00e3o Paulo, dois meses antes de Vlado. \u201cA semelhan\u00e7a \u00e9 impressionante, ele estava praticamente na mesma posi\u00e7\u00e3o em que o Herzog foi fotografado. Marcelo conta que aquela foi a primeira vez em que a per\u00edcia tinha sido chamada no pr\u00e9dio do DOI-Codi. Eu falei \u2018bom, se tem per\u00edcia, ent\u00e3o tem o laudo\u2019\u201d, relatou a pesquisadora.<\/p>\n<p>\u201cQuando eu achei o laudo do Jos\u00e9 Ferreira de Almeida, as coisas foram se encaixando. A descri\u00e7\u00e3o [da cela] era muito fiel, dizia ter bloco de vidro nas janelas.\u201d Os laudos periciais, tanto do tenente quanto do jornalista, apontam que os corpos foram encontrados na \u201ccela especial n\u00famero 1\u201d, registro crucial para a identifica\u00e7\u00e3o do local onde o corpo de Herzog foi pendurado.<\/p>\n<blockquote wp_automatic_readability=\"10\">\n<p>\u201c[Os corpos de] Almeida e o Herzog foram [encontrados] na mesma cela. E \u00e9 s\u00f3 por meio dessa informa\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 presente no laudo [do tenente] \u2013 que \u00e9 uma pessoa cuja a morte n\u00e3o teve a repercuss\u00e3o que teve o Herzog \u2013 que a gente conseguiu chegar \u00e0 conclus\u00e3o sobre a cela do Herzog\u201d, explicou.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Na documenta\u00e7\u00e3o referente a Almeida, havia ainda imagens da parte de fora da cela, o que permitiu a identifica\u00e7\u00e3o por meio da compara\u00e7\u00e3o com evid\u00eancias f\u00edsicas preservadas na estrutura atual do pr\u00e9dio.\u00a0<strong>\u201cEssa fotografia do lado de fora traz alguns elementos que n\u00e3o tinham l\u00e1 na descri\u00e7\u00e3o do Herzog\u201d, diz Deborah.\u00a0<\/strong><\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-right\" wp_automatic_readability=\"7\">\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\" wp_automatic_readability=\"9\">\n<p><!--copyright=458213-->S\u00e3o Paulo (SP), 07\/03\/2026 \u2013 Pesquisadores da Unifesp identificam a cela do DOI-Codi onde Vladimir Herzog foi encontrado morto. Foto: Ac\u00e1ssia Deli\u00ea\/Divulga\u00e7\u00e3o \u2013 <strong>Ac\u00e1ssia Deli\u00ea\/Divulga\u00e7\u00e3o<\/strong><!--END copyright=458213--><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Apenas uma sala no pr\u00e9dio apresentou as correspond\u00eancias necess\u00e1rias para a identifica\u00e7\u00e3o, segundo a historiadora. \u201cEssa cela fica no primeiro andar, no final do corredor. Por que a gente bateu o martelo que foi l\u00e1? Na fotografia do laudo, bem no cantinho do lado direito, tem a imagem de tr\u00eas dobradi\u00e7as. O \u00fanico lugar dentro daquele complexo que tem uma porta do lado de um arm\u00e1rio, com a dobradi\u00e7a pro lado de fora, \u00e9 nesse ponto\u201d, detalhou.<\/p>\n<p>A descoberta foi poss\u00edvel, destacou a Unifesp, a partir da conjuga\u00e7\u00e3o dos trabalhos de arqueologia forense, coordenados pela professora de arqueologia hist\u00f3rica da Unifesp, Cl\u00e1udia Plens; da pesquisa hist\u00f3rica realizada por Deborah Neves, p\u00f3s-doutoranda na Unifesp; e de arquitetura, por Alessandro Sbampato, pesquisador da Rede Brasileira de Pesquisadores de S\u00edtios de Mem\u00f3ria e Consci\u00eancia (Rebrapesc).<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por MRNews Pesquisa da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) identificou a cela em que agentes da ditadura militar simularam<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-63368","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ejornais"],"aioseo_notices":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63368","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=63368"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/63368\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=63368"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=63368"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=63368"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}