{"id":66367,"date":"2026-05-25T00:24:21","date_gmt":"2026-05-25T03:24:21","guid":{"rendered":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/2026\/05\/25\/continente-aproveita-ascensao-da-china-e-mira-progresso\/"},"modified":"2026-05-25T00:24:21","modified_gmt":"2026-05-25T03:24:21","slug":"continente-aproveita-ascensao-da-china-e-mira-progresso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/2026\/05\/25\/continente-aproveita-ascensao-da-china-e-mira-progresso\/","title":{"rendered":"continente aproveita ascens\u00e3o da China e mira progresso"},"content":{"rendered":"<p> Por MRNews<br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p><strong>Esta segunda-feira (25) marca o Dia da \u00c1frica: continente que vem aproveitando a ascens\u00e3o da China para perseguir o pr\u00f3prio desenvolvimento, em especial, por meio de parcerias na constru\u00e7\u00e3o de infraestruturas de transporte, energia e ind\u00fastrias. <\/strong>Em resposta, os Estados Unidos (EUA) tentam concorrer com Pequim no continente, enquanto lideran\u00e7as africanas buscam protagonismo no cen\u00e1rio global.<\/p>\n<p><strong>O deslocamento do centro da economia global da Europa e dos Estados Unidos\u00a0para a \u00c1sia, por meio da ascens\u00e3o da China, tem transformado os pa\u00edses africanos, que t\u00eam no gigante asi\u00e1tico o principal parceiro comercial, com US$ 295 bilh\u00f5es comercializados em 2024, 6% a mais do que no ano anterior.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Com 1,5 bilh\u00e3o de habitantes, sendo 60% abaixo dos 25 anos, a \u00c1frica tem a\u00a0China como\u00a0principal parceiro comercial h\u00e1 17 anos.<\/strong> Um dos exemplos dessa coopera\u00e7\u00e3o \u00e9 o Parque Industrial PK24, nos arredores de Abdjan, capital da Costa do Marfim, constru\u00eddo em parte pela China Light Industry Nanning Design Engineering.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/05\/24\/paises-discutem-solucao-para-combustivel-fossil-e-desmatamento-ilegal\/\">Pa\u00edses discutem solu\u00e7\u00e3o para combust\u00edvel f\u00f3ssil e desmatamento ilegal<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/05\/24\/chega-ao-fim-a-luta-de-joel-datena\/\">Chega ao fim a luta de Joel Datena<\/a><\/strong><\/p>\n<p>\u201cA unidade tem capacidade para processar 50 mil toneladas de cacau anualmente e armazenar 140 mil toneladas. Trata-se de um marco importante na jornada do pa\u00eds para avan\u00e7ar na cadeia de valor global\u201d, escreveu o Observat\u00f3rio da China, de Portugal.<\/p>\n<p>O pesquisador do N\u00facleo de Estudos Sobre \u00c1frica, \u00c1sia e Rela\u00e7\u00f5es Sul-Sul (NIEAAS)\u00a0Eden Pereira Lopes da Silva\u00a0explicou \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong> que os projetos da China buscam conectar zonas importantes dentro do continente.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cN\u00e3o s\u00e3o projetos apenas de coopera\u00e7\u00e3o industrial, mas tamb\u00e9m, sobretudo, \u00e1reas que, no futuro, possam ser usadas para integrar uma grande rede de corredores comerciais que os chineses est\u00e3o planejando, principalmente por via mar\u00edtima por meio de grandes portos, al\u00e9m de renova\u00e7\u00e3o de ferrovias\u201d, explicou o historiador\u00a0da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>\u00c1frica lidera Rota da Seda<\/h2>\n<p><strong>Em 2025, a \u00c1frica liderou o destino dos investimentos chineses da Nova Rota da Seda, projeto liderado por Pequim para integrar o com\u00e9rcio do pa\u00eds asi\u00e1tico com outras 150 na\u00e7\u00f5es. Dos US$ 213 bilh\u00f5es do ano passado, US$ 61,2 bilh\u00f5es foram para o continente africano<\/strong>.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/05\/24\/manifestantes-condenam-tratamento-policial-a-ativistas-da-flotilha\/\">Manifestantes condenam tratamento policial a ativistas da flotilha<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/mrnews.com.br\/index.php\/2026\/05\/24\/pl-que-veta-crianca-em-evento-lgbtqia-e-inconstitucional-diz-jurista\/\">PL que veta crian\u00e7a em evento LGBTQIA+ \u00e9 inconstitucional, diz jurista<\/a><\/strong><\/p>\n<p>\u201cUm aumento de 283% [se comparado com o ano anterior]; os pa\u00edses com maior engajamento em constru\u00e7\u00e3o foram Nig\u00e9ria (US$ 24,6 bilh\u00f5es), e Rep\u00fablica do Congo (US$ 23,1 bilh\u00f5es)\u201d, calculou a organiza\u00e7\u00e3o de pesquisas de Xangai The Green Finance &amp; Development Center.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-left\">\n<h6 class=\"meta\">Elga Lessa de Almeida, professora de rela\u00e7\u00f5es internacionais da Universidade Federal da Bahia (UFBA) \u2013 <strong>Foto: Arquivo pessoal<\/strong><!--END copyright=426811--><\/h6>\n<\/div>\n<p><strong>A professora de rela\u00e7\u00f5es internacionais da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Elga Lessa de Almeida avalia que a China \u00e9 um parceiro mais vantajoso do que as pot\u00eancias europeias,<\/strong> que colonizaram a \u00c1frica, ou do que os\u00a0Estados Unidos.<\/p>\n<p>\u201cA China chega atrav\u00e9s de uma presen\u00e7a que \u00e9 mais diplom\u00e1tica, mais a partir da economia, do que uma presen\u00e7a mais imposta militarmente, como \u00e9 mais a presen\u00e7a dos EUA\u201d, disse a especialista.<\/p>\n<p>Em entrevistas que realizou em Mo\u00e7ambique e Angola, Elga Lessa conta que seus interlocutores afirmam que, diferentemente dos pa\u00edses europeus, os chineses, nos neg\u00f3cios, n\u00e3o determinam onde devem investir o dinheiro.<\/p>\n<p>\u201cS\u00e3o os africanos que v\u00e3o dizer o que precisam e a China avalia se concede\u00a0ou n\u00e3o\u00a0o aporte financeiro. \u00c9 uma forma de dar mais autonomia para\u00a0as lideran\u00e7as africanas\u201d, acrescentou.<\/p>\n<h2>R\u00fassia<\/h2>\n<p><strong>Al\u00e9m da China, outro parceiro dos pa\u00edses africanos que tem se destacado nos \u00faltimos anos \u00e9 a R\u00fassia, que est\u00e1 \u00e0 frente mesmo dos EUA nas rela\u00e7\u00f5es com o continente, segundo o pesquisador Eden Pereira.<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cA \u00c1frica carece de infraestrutura energ\u00e9tica e, por isso, a China, mas tamb\u00e9m a R\u00fassia, tem investido pesadamente no desenvolvimento de energia de centrais el\u00e9tricas e tamb\u00e9m nuclear. A R\u00fassia, recentemente, fez acordos com Eti\u00f3pia para desenvolver usina nuclear\u201d, contou.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Angola<\/h2>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o da China com Angola se desenvolveu por meio de empr\u00e9stimos depois da guerra civil (1975-2002) que dilacerou a antiga col\u00f4nia\u00a0portuguesa ap\u00f3s a independ\u00eancia, em 1975.<\/p>\n<p>A professora da UFBA Elga Lessa de Almeida conta que os europeus n\u00e3o quiserem emprestar ao pa\u00eds, que recorreu \u00e0 China. O pa\u00eds firmou um financiamento que seria pago por meio do petr\u00f3leo angolano. Por anos, mais de 60% do total do petr\u00f3leo de Angola iam para o gigante asi\u00e1tico.<\/p>\n<p>\u201cEssa rela\u00e7\u00e3o, durante muito tempo, foi uma rela\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia. S\u00f3 que Angola come\u00e7ou a ter um planejamento de pagamento, e a d\u00edvida foi reduzindo-se bastante. O pa\u00eds criou consci\u00eancia de que precisava sair da depend\u00eancia do petr\u00f3leo\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p><strong>Segundo Elga Lessa, Angola come\u00e7ou a investir em refinarias e, a partir de 2020, iniciou a constru\u00e7\u00e3o da segunda unidade, que foi conclu\u00edda em 2025, em Cabinda, 50 anos ap\u00f3s a primeira refinaria, de Luanda. H\u00e1 ainda outras duas planejadas, uma em constru\u00e7\u00e3o, em Lobito, e outra na fase de projeto, em Soyo.<\/strong><br \/>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<p><!--copyright=463505-->Luanda, capital da Angola \u2013<strong> Foto: Reuters\/Kristin Palitza\/Arquivo\/Proibida reprodu\u00e7\u00e3o<\/strong><!--END copyright=463505--><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2>Endividamento e interesses da China<\/h2>\n<p>O endividamento dos pa\u00edses africanos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 China pode preocupar a depender do n\u00edvel de comprometimento do or\u00e7amento fiscal com o pagamento desses empr\u00e9stimos, avalia Eden Pereira Lopes da Silva. Por\u00e9m, <strong>o historiador pondera que esses empr\u00e9stimos deixam benef\u00edcios de longo prazo.<\/strong><\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um endividamento para constru\u00e7\u00e3o de infraestrutura, o que \u00e9 diferente dos endividamentos para consumo, como importa\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os\u201d, afirmou.<\/p>\n<p><strong>Para Silva, a China tem interesse no continente africano na expectativa de criar mercados para seus produtos.<\/strong> \u201cA China enxerga a cria\u00e7\u00e3o de grandes mercados para os quais eles possam operar n\u00e3o apenas com bens, mas tamb\u00e9m servi\u00e7os\u201d, completou.<\/p>\n<h2>Estados Unidos<\/h2>\n<p><strong>A expans\u00e3o da influ\u00eancia chinesa na \u00c1frica tem despertado preocupa\u00e7\u00e3o em Washington, que lan\u00e7ou iniciativas para competir com gigante asi\u00e1tico<\/strong>, em especial, no acesso a minerais cr\u00edticos e terras raras, insumos decisivos nos setores de tecnologia de ponta, defesa militar e transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica.<\/p>\n<p><strong>Estima-se que cerca de 30% desses minerais estejam na \u00c1frica, agu\u00e7ando a disputa das duas grandes pot\u00eancias. <\/strong>O acordo de paz intermediado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entre a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo (RDC) e Ruanda teve, como contrapartida, o acesso ao cobalto congol\u00eas.<br \/>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<p><!--copyright=463502-->Garimpeiros trabalham em Tilwizembe, uma antiga mina industrial de cobre e cobalto, nos arredores de Kolwezi, capital da prov\u00edncia de Lualaba, no sul da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo \u2013 <strong>Foto: Reuters\/Kenny Katombe\/Arquivo\/Proibida reprodu\u00e7\u00e3o<\/strong><!--END copyright=463502--><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><strong>A Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do\u00a0Congo det\u00e9m cerca de 70% da produ\u00e7\u00e3o desse min\u00e9rio fundamental para fabrica\u00e7\u00e3o de baterias de celulares e carros el\u00e9tricos.<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cOs EUA t\u00eam investido pesadamente para controlar os setores de mat\u00e9rias-primas e de produtos b\u00e1sicos do continente africano, sobretudo de minerais cr\u00edticos. O acordo entre Congo e Ruanda envolveu a explora\u00e7\u00e3o de minerais cr\u00edticos dentro do Congo por parte de empresas estadunidenses e canadenses\u201d, contou Eden Pereira.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>A nova doutrina de seguran\u00e7a nacional do governo de Donald Trump definiu que os EUA devem mudar a pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00c1frica, focada, at\u00e9 ent\u00e3o, mais em ajuda externa de perfil humanit\u00e1rio.<\/strong><\/p>\n<p>\u201c[Devemos fazer uma transi\u00e7\u00e3o] para uma rela\u00e7\u00e3o focada em com\u00e9rcio e investimento, favorecendo parcerias com pa\u00edses capazes e confi\u00e1veis, comprometidos em abrir seus mercados para bens e servi\u00e7os americanos\u201d, diz o documento da Casa Branca.<\/p>\n<p>Para contrabalan\u00e7ar a influ\u00eancia da China no continente, <strong>os EUA investiram na revitaliza\u00e7\u00e3o do projeto ferrovi\u00e1rio do Corredor de Lobito, em Angola. Inicialmente, o projeto foi financiado pelos chineses.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cEm resposta [ao financiamento da China], em dezembro de 2024, o presidente dos EUA, Joe Biden, visitou Angola, onde anunciou um investimento de US$ 600 milh\u00f5es no Corredor de Lobito como alternativa ao financiamento chin\u00eas\u201d, destaca artigo publicado na revista de neg\u00f3cios internacionais <em>AIB Insights<\/em>, dos EUA.<br \/>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<h6 class=\"meta\"><!--copyright=463503-->Moradores locais caminham ao lado de trens na Esta\u00e7\u00e3o de Lobito, que faz parte da linha ferrovi\u00e1ria de Benguela, em Lobito, oeste de Angola. A ferrovia, parte do Corredor de Lobito, \u00e9 um elo de transporte fundamental para o com\u00e9rcio regional \u2013<strong> Foto:\u00a0Reuters\/Cesar Muginga\/Arquivo\/Proibida reprodu\u00e7\u00e3o<\/strong><!--END copyright=463503--><\/h6>\n<\/div>\n<h2>Diferen\u00e7a entre China e EUA<\/h2>\n<p><strong>O pesquisador da URFJ\u00a0Eden Pereira Lopes da Silva<\/strong><strong> ressalta as diferen\u00e7as entre as atua\u00e7\u00f5es da China e dos EUA no continente africano, com Washington focando mais em quest\u00f5es de defesa e seguran\u00e7a ou na extra\u00e7\u00e3o de mat\u00e9rias-primas em estado bruto.<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cS\u00e3o a\u00e7\u00f5es que n\u00e3o geram o desenvolvimento efetivo de infraestrutura em v\u00e1rias dessas \u00e1reas porque o \u00fanico ganho que eles obt\u00eam, por vezes, se restringe ao \u00e2mbito da estabilidade pol\u00edtica e da seguran\u00e7a\u201d, disse.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Silva cita o caso da Nig\u00e9ria, que firmou parceria com os EUA para combate a grupos terroristas que atuam no pa\u00eds. \u201cPor vezes, esses acordos unilaterais s\u00e3o bastante danosos, sobretudo no sentido de que eles n\u00e3o resolvem os conflitos pol\u00edticos internos\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<p>Movimenta\u00e7\u00e3o em uma das ruas da cidade de Lagos, na Nig\u00e9ria \u2013 <strong>Foto:\u00a0Reuters\/George Esiri\/Arquivo\/Proibida reprodu\u00e7\u00e3o<\/strong><!--END copyright=463501--><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2>Protagonismo africano<\/h2>\n<p><strong>Os especialistas consultados pela Ag\u00eancia Brasil acrescentaram que os pa\u00edses africanos atuam para aumentar sua autonomia e soberania frente a uma ordem internacional em transforma\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>A Uni\u00e3o Africana (UA), com sede na Eti\u00f3pia, \u00e9 um dos instrumentos da soberania africana. A entidade substituiu a Organiza\u00e7\u00e3o da Unidade Africana, fundada em 25 de maio de 1963, data que marca o Dia da \u00c1frica. Neste ano, a UA escolheu a \u00e1gua e o saneamento b\u00e1sico como temas priorit\u00e1rios.<\/p>\n<p>Em 2013, a Uni\u00e3o Africana lan\u00e7ou a Agenda 2063, com metas de unidade e integra\u00e7\u00e3o a serem alcan\u00e7adas em um intervalo de 50 anos. Segundo a professora da UFBA Elga Lessa de Almeida, h\u00e1 dois grandes objetivos dessa agenda.<\/p>\n<p>\u201cA cria\u00e7\u00e3o de um mercado comum, de uma zona de livre com\u00e9rcio a maioria dos pa\u00edses africanos, e tamb\u00e9m a cria\u00e7\u00e3o de infraestrutura log\u00edstica que permita essa integra\u00e7\u00e3o da economia interna da \u00c1frica\u201d, comentou.<\/p>\n<p>Em 2021, a Zona de Livre Com\u00e9rcio Continental Africana (AfCFTA) entrou em vigor, abrangendo 54 dos 58 pa\u00edses do continente, com redu\u00e7\u00e3o de taxas alfandeg\u00e1rias, estimulando o com\u00e9rcio entre pa\u00edses africanos, que representa cerca de 15% a 20% do com\u00e9rcio total do continente.<\/p>\n<p><strong>Para o historiador Eden Pereira, os pa\u00edses africanos est\u00e3o em uma situa\u00e7\u00e3o mais vantajosa hoje do que no per\u00edodo p\u00f3s-independ\u00eancia<\/strong>, na segunda metade do s\u00e9culo 20, quando se libertaram do colonialismo europeu.<\/p>\n<p>\u201cEssa transi\u00e7\u00e3o sist\u00eamica na ordem internacional favorece os pa\u00edses do continente africano no estabelecimento da sua soberania\u201d, avaliou.<\/p>\n<p><strong>O pesquisador cita a Eti\u00f3pia (foto principal), a \u00c1frica do Sul, a Nig\u00e9ria e o Egito como exemplos de pa\u00edses com maior autonomia de a\u00e7\u00e3o no cen\u00e1rio global.<\/strong><\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201c\u00c1frica do Sul e Eti\u00f3pia s\u00e3o os dois atores com maior margem de manobra perante as grandes pot\u00eancias. A \u00c1frica do Sul porque herdou alguma infraestrutura pol\u00edtica e econ\u00f4mica do imp\u00e9rio brit\u00e2nico e conseguiu manter. A Eti\u00f3pia porque nunca foi colonizada pelos pa\u00edses europeus\u201d, avalia.<br \/>\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<p><!--copyright=431165-->Vista da cidade de Durban, na \u00c1frica do Sul \u2013 <strong>Foto:\u00a0Reuters\/Rogan Ward\/proibida a reprodu\u00e7\u00e3o<\/strong><!--END copyright=431165--><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2>Contexto hist\u00f3rico<\/h2>\n<p>Para entender o continente africano hoje, Eden Pereira destaca que \u00e9 importante voltar na hist\u00f3ria. Entre os s\u00e9culos 16 e 19, a \u00c1frica mantinha rela\u00e7\u00f5es com a Europa baseadas, principalmente, no com\u00e9rcio de pessoas escravizadas. Esse com\u00e9rcio moldou os reinos e Estados africanos do per\u00edodo.<\/p>\n<p>\u201cApesar de n\u00e3o existir efetivamente uma coloniza\u00e7\u00e3o nesse per\u00edodo, existia a presen\u00e7a militar dos europeus. O continente africano foi reorganizado para funcionar em favor do sistema capitalista que estava emergindo dentro da Europa Ocidental\u201d, lembrou.<\/p>\n<p>A partir da segunda metade do s\u00e9culo 19, a Europa passa a colonizar diretamente a \u00c1frica, aumentando as consequ\u00eancias negativas da explora\u00e7\u00e3o do continente.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante dizer que essa domina\u00e7\u00e3o e essa conquista ocorrem atrav\u00e9s de v\u00e1rias guerras at\u00e9 a partilha da \u00c1frica entre os imp\u00e9rios coloniais europeus no Congresso de Berlim [1884-1885]\u201d, acrescentou o pesquisador.<\/p>\n<p><strong>A partir das d\u00e9cadas de 1950 e 1960, os pa\u00edses africanos iniciam o processo de descoloniza\u00e7\u00e3o, tanto por meio de guerras de libera\u00e7\u00e3o, quanto\u00a0por processos acordados com as antigas col\u00f4nias.<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo com as independ\u00eancias, os pa\u00edses mant\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o desigual com as antigas metr\u00f3poles, modelo chamado por analistas de neocolonialismo.<\/p>\n<p>\u201cEles, principalmente Fran\u00e7a e Reino Unido, conseguiram, atrav\u00e9s de instrumentos pol\u00edticos e diplom\u00e1ticos, manter, ainda que n\u00e3o totalmente, mas parcialmente, a sua hegemonia sobre algumas das suas ex-col\u00f4nias\u201d, conta o historiador da UFRJ.<\/p>\n<p>Eden Pereira explica que, ao sair do colonialismo, os pa\u00edses africanos careciam de ind\u00fastrias e servi\u00e7os p\u00fablicos b\u00e1sicos, como escolas e hospitais. \u201cAinda hoje a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 bastante dif\u00edcil, mas nas d\u00e9cadas de 50 e 60 era algo muito pior\u201d, concluiu.<br \/>\u00a0<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por MRNews Esta segunda-feira (25) marca o Dia da \u00c1frica: continente que vem aproveitando a ascens\u00e3o da China para perseguir<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-66367","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ejornais"],"aioseo_notices":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66367","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66367"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66367\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66367"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66367"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ejornais.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66367"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}