Complexo de Mangabeira faz 1º transplante de fíbula vascularizada para tratar sequela de trauma
O Complexo Hospitalar de Mangabeira (CHM) realizou, de forma inédita na Paraíba, uma cirurgia de transplante de fíbula vascularizada para tratar uma grave sequela de trauma em membro superior. O procedimento de Alta Complexidade foi realizado por uma equipe composta por 10 profissionais liderados pelos médicos cirurgiões Antônio Lacerda e Bruno Montenegro e, representa um avanço significativo na assistência oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O paciente, José Gabriel Oliveira, de 27 anos, sofreu um acidente de moto em outubro de 2025, que resultou em fratura exposta no antebraço direito. Após complicações infecciosas, houve perda de um segmento ósseo importante na área do antebraço, comprometendo severamente a função do membro e colocando como possibilidade a amputação.
Após alguns procedimentos cirúrgicos, a alternativa encontrada pela equipe médica foi a realização do transplante de fíbula vascularizada, técnica que consiste na retirada de um segmento ósseo da perna, com seus vasos sanguíneos, para ser reimplantado em outras áreas, como no antebraço. Os vasos são conectados à circulação local, permitindo que o enxerto permaneça vivo, com maior chance de consolidação e recuperação funcional.
“Apesar de ser a primeira vez sendo realizada no Estado, não é uma técnica incomum, pois se apresenta como a única solução possível diante da complexidade da lesão de alguns pacientes evitando que se perca a função motora daquele membro, além da amputação. A vascularização do enxerto aumenta significativamente as chances de sucesso, com índices de consolidação superiores a 90%”, explica o cirurgião Dr. Antônio Lacerda.
O médico ortopedista, Dr. Bruno Montenegro, explica que a cirurgia é realizada em etapas. Inicialmente, é feita a retirada do enxerto da perna, seguida da preparação do antebraço para receber o novo segmento ósseo. O procedimento completo pode durar entre seis e até doze horas, dependendo das condições do paciente e da complexidade do caso.
No pós-operatório, o paciente permanece internado sob observação rigorosa, com uso de antibióticos e acompanhamento da viabilidade do enxerto, que pode ser monitorada, inclusive, por meio de um segmento de pele transferido junto ao osso. A alta hospitalar ocorrerá após estabilização clínica e início da reabilitação com fisioterapia.
Segundo a equipe médica, a expectativa é que José Gabriel recupere entre 80% e 90% da função do antebraço, o que permitirá retomar movimentos essenciais como flexão, extensão e rotação, além de preservar a funcionalidade da mão dominante.
“É uma grande satisfação poder oferecer esse tipo de procedimento. Tivemos formação para isso e contar com a estrutura do hospital para realizar uma cirurgia dessa magnitude é motivo de orgulho. Nosso principal objetivo é devolver qualidade de vida ao paciente e, estamos otimistas com a possibilidade de realizar esse procedimento em outros pacientes posteriormente”, destacou o Dr. Bruno Montenegro.
A esposa de José, Rafaela dos Santos, acompanhou todo o processo e celebrou a possibilidade de recuperação. “Essa já é a sétima cirurgia dele. A gente estava muito apreensivo, mas também aliviados, porque era a única alternativa para evitar a amputação. Estamos confiantes e com fé de que tudo dará certo”, relatou.