II Festival de Primavera é aberto em João Pessoa com apresentações sobre memória, liberdade e cultura afro-brasileira
A valorização da história, da cultura afro-brasileira e da liberdade marcou a abertura oficial do II Festival de Primavera, realizado na tarde desta sexta-feira (6), no Teatro do Sesc, no Centro de João Pessoa. O evento teve como destaque a apresentação cultural ‘Corpos em Correntes, Almas em Liberdade’, reunindo dança, música, teatro e outras manifestações artísticas protagonizadas pelos estudantes.
Com entrada gratuita, o festival foi uma iniciativa da Prefeitura de João Pessoa, por meio da Escola Municipal de Ensino Integral (EMAI) Dr. João Santa Cruz, em parceria com o Sistema Sesc/Fecomércio/Senac. A programação busca fortalecer a cultura, preservar a memória histórica e promover reflexões sobre o combate ao racismo, à intolerância religiosa e ao preconceito.
A secretária executiva de Educação e Cultura de João Pessoa, Luciana Dias, destacou o protagonismo dos estudantes e o envolvimento dos profissionais da escola na realização do evento. “Esse evento maravilhoso merece nossos parabéns aos estudantes da Escola João Santa Cruz pelo protagonismo, pela pesquisa e pelas apresentações que celebram a cultura africana com dança, música, cores e criatividade. Tudo muito lindo! Nossa gratidão aos professores e a toda a equipe escolar pelo compromisso e dedicação. É assim que valorizamos nossos estudantes e construímos uma educação que transforma. É assim que se aprende em João Pessoa”, afirmou.
Educação e combate ao racismo – O diretor da Escola Municipal João Santa Cruz, Fernando Guimarães de Menezes, ressaltou que o festival representa o resultado de um trabalho pedagógico desenvolvido durante todo o ano letivo, com a participação de professores, alunos e familiares. “Este evento representa o nosso trabalho de combate ao preconceito religioso e cultural ainda presente na sociedade. É o fruto de um trabalho árduo entre professores, alunos e todos que abraçaram essa proposta pedagógica. Queremos combater o racismo e contribuir para que as pessoas melhorem suas concepções e atitudes. Agradeço aos pais e aos professores, que fizeram desse evento algo simplesmente maravilhoso”, destacou.
A apresentação ‘Corpos em Correntes, Almas em Liberdade’ foi idealizada pelo professor Marcos Brandão, que explicou a importância de abordar a história da população negra e a resistência dos povos africanos escravizados no Brasil, especialmente com crianças do Ensino Fundamental.
Segundo ele, o espetáculo nasceu da inquietação de contar a história da África para além do período da escravidão, destacando a riqueza cultural do continente, a violência sofrida pelos povos escravizados e a luta pela liberdade. “Nos tempos em que vivemos, é muito necessário retomar esse tipo de conteúdo. ‘Corpos em Correntes, Almas em Liberdade’ traz a esperança dos nossos ancestrais. Precisamos lembrar das correntes, das mortes e de todo o sofrimento, mas também da liberdade que eles buscaram no Brasil, dentro dos quilombos”, explicou.
O professor também destacou que a proposta vai além do resgate histórico e procura incentivar valores como empatia, respeito às diferenças e convivência entre os estudantes. “É importante que nossos alunos entendam que devemos combater o bullying e o preconceito racial, ter empatia com os amigos e colegas de sala e respeitar a religião do outro. Muitos perderam a vida para que hoje pudéssemos estar aqui, falando sobre nossa história e nossa identidade”, acrescentou.
Protagonismo dos estudantes – Os alunos também demonstraram entusiasmo por participar da programação e representar, por meio da arte, personagens e momentos importantes da história brasileira.
Mayza Sophya, de 10 anos, destacou a importância da consciência negra e da liberdade para todos os povos. “A importância da consciência negra é que todos os negros sejam livres e todos os indígenas tenham sua liberdade, como todos nós brasileiros temos”, afirmou.
Maria Laura, de 6 anos, comemorou a participação na apresentação teatral. “Gostei muito de ter participado do teatro. Foi bom para o meu desenvolvimento”, contou.
Já Anny Kelly, de 10 anos, disse que participar do evento foi uma oportunidade de representar aqueles que sofreram no passado. “A alegria de estar aqui participando é porque antigamente os indígenas e os negros sofriam muito. Eu queria estar aqui hoje no teatro representando eles, e hoje estou aqui representando e falando”, declarou.
Para Samuel Nicolas, de 9 anos, a experiência também foi marcada pela oportunidade de participar de atividades culturais de que gosta, especialmente a capoeira. “Minha alegria de participar desse evento foi muito grande, porque fiz uma coisa de que gosto muito, que é a capoeira. Estive com meus amigos, fiz muitas coisas e foi muito legal”, relatou.
O II Festival de Primavera reforça o papel da escola como espaço de formação cidadã, valorização da diversidade e construção do conhecimento. Por meio da arte e do protagonismo estudantil, a iniciativa aproxima os alunos da história e da cultura afro-brasileira, estimulando o respeito às diferenças e a reflexão sobre a importância da liberdade e da igualdade.